segunda-feira, 22 de julho de 2013

Lucinda.


Lucinda, pelas charnecas andava
com os pés entalados na lama
Carangueijos e siris catava
A Cantarolar antigas cantigas de drama...

Lucinda adorava o sol do meio dia
Com o suor caindo, voltava pra casa
Cabelos no o rosto em rebeldia
O corpo todo queimando em brasa...

Lucinda chega! Comida no fogão
Roupa molhada estandida no Varal
Os olhos na ruas, esperando João
Garoto travesso, bricava no roseiral!

Lucinda, às 16:30 aos filhos dá banho
Depois dá aos cachorros a ração...
Varre casa, arranja as flores e se arruma pro Tonho...
Bate forte o coração...

Os lábios vermelhos de cor camim
A pele negra brilhante
O congote cheira a jasmim
Vestido remendado e deselegante...

Lucinda, põe as crianças para dormir...
Na janela seus olhos ficam a procurar
Aquele que ama e que há muito disse partir
A madrugada vem e ela se põe a soluçar...

As estrelas admiram a mulata Lucinda
Que a todos dias se mata de trabalhar
Que ao seu amor espera ainda
Sobre o triste presságio do luar...

Saudades cantam na aurora matinal
Lucinda admira o sono dos filhos abandonados
Espero mais dia e tudo igual
É o aceno do lenço dos enganados...


Camilla da Silva Ribeiro     

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