domingo, 28 de julho de 2013

Por Amor...



Por amor desafiarei os mares da loucura
Até estravazar  os limites da razão
Beijarei os céus da amargura
Ao esbarrar nos arabescos obscuros do coração!!


Por ti, meu amor, eu sufoquei meu pranto
Só para ter você em volta de meus braços
Ao sentir seu corpo mexer no encanto
Dos gemidos, do seu respirar, de todos seus laços...

Por ti  me entreguei dividida
Entre o dever e a glória do seu amor
Mesmo sabendo que um dia estarei perdida
Com deus, com todos e com meu  próprio valor

Pelo seu amor o meu grito virou o canto
Das vertente solúveis do trovador
Sobre as hastes de estrelas que vestem o manto
Te darei meu corpo, minha alma e todo meu ardor...

Suplantei a minha alma em felonia
Para ter em meu seio o seu arfar
Teus beijos, minha doce alegria
No orvalho cândido e esbaforido do teu respirar...


Por amor, entreguei a sorte
A paz de todo o meu lar
Pularei os penhascos da  morte
Para de novo entre seus céus estar!


terça-feira, 23 de julho de 2013

Tédio



Tédio, é quase tudo igual
Normal
Não há nada de passional
Sem alegria, sem nenhum mal

Tédio, as horas demoram a passar
O relogio se cala e para de rodar
Quero Apressar
Apressar
O Balanço do tempo
Com a mesma velocidade das ondas do mar.

Tédio, onde você esconde o entardecer?
Onde sufoca e mata o que se deve fazer?
Tédio... Tédio... Quero te pisar
Esnobar
Todo seu escarnio revidar...

O tédio fez um acordo com o silêncio
Compactuou com a solidão
Nos deu um balde do selenio
Que desacelerou o coração...

Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 22 de julho de 2013

Lucinda.


Lucinda, pelas charnecas andava
com os pés entalados na lama
Carangueijos e siris catava
A Cantarolar antigas cantigas de drama...

Lucinda adorava o sol do meio dia
Com o suor caindo, voltava pra casa
Cabelos no o rosto em rebeldia
O corpo todo queimando em brasa...

Lucinda chega! Comida no fogão
Roupa molhada estandida no Varal
Os olhos na ruas, esperando João
Garoto travesso, bricava no roseiral!

Lucinda, às 16:30 aos filhos dá banho
Depois dá aos cachorros a ração...
Varre casa, arranja as flores e se arruma pro Tonho...
Bate forte o coração...

Os lábios vermelhos de cor camim
A pele negra brilhante
O congote cheira a jasmim
Vestido remendado e deselegante...

Lucinda, põe as crianças para dormir...
Na janela seus olhos ficam a procurar
Aquele que ama e que há muito disse partir
A madrugada vem e ela se põe a soluçar...

As estrelas admiram a mulata Lucinda
Que a todos dias se mata de trabalhar
Que ao seu amor espera ainda
Sobre o triste presságio do luar...

Saudades cantam na aurora matinal
Lucinda admira o sono dos filhos abandonados
Espero mais dia e tudo igual
É o aceno do lenço dos enganados...


Camilla da Silva Ribeiro     

domingo, 21 de julho de 2013

Ciúmes...

O beijo suave reverbeou em grito


O abraço morreu em tapas

Por trás sombras apenas o gemido

De dor,sangue e farpas



Deixando-se abater em prostração

Os olhos perdidos, insones, sem dormir

Lágrimas lavam rosto e ecoam das batidas do coração

Ao amor que ameça se partir.



Dos sonhos amargos, a chama se apagou

Da imaginação ilusória, um estranho rancor

A surgir de medos , inseguranças que a vida emplantou

Emergindo dos sonetos de um falso amor

Noite do Adeus!

Meu mundo se dissolveu...


A mesma chuva que cai dos céus

É a mesma a cair dos olhos meus..

Tão calada... Calada.... Tudo se perdeu...



Ainda seguro na mão a Carta

O pedaço de papel amarelado

Segurando o peso do vazio, do nada

Das suas estranhas palavras, que está tudo Acabado!



O som do vento bate a janela

As cortinas volitam no ar.

Os sussuros da noite penetram na sentinela

Se juntando aos gemidos do meu chorar...



Deitada, cabelos espalhados na manta carmim

Fisionimia perdida, cansada de não dormir...

Ao lado da cama morrem as flores de jasmim...

Dentro de mim, sangrando em dor, as lembraças do seu partir





Canta a aurora do amanhecer

Junto ao orvalho cristalino das folhas

Aparecem os primeiros raios para aquecer

O coração gasto em dores...



Seu olhar me veste em cor...

Seus lábios me beijam em som

Seus abraços me cobrem e se aguarram ao meu coração

Onde estará a Melodia? Onde estará o meu amor?



Andando pelas ruas, de enconto a multidão...

No trabalho, sem alegria, lembro do Adeus

A gritar em meus ouvidos, a esmagar em decepção!



Camilla da Silva Ribeiro

terça-feira, 16 de julho de 2013

Hino Nacional ao avesso...


 
 
 
 
Se do peito arfando, explode o grito
Sangrando, morre o estado de torpor
Sobre a haste do lábaro erguido
No uníssono de vozes do povo, o clamor

Se nossos campos são os que mais tem flores
Se há ainda vida, há esperanças e cores
Por que em cada canto os políticos só nos dão dissabores?
Não tardaremos a todos nos rebelar...

Se nessa terra há encanto juvenil
Que a tanto é chamada, de pátria amada, Brasil
Estagnados como podemos conquistar em braço forte?
Em nosso peito, sem liberdade... Desafiando-nos e vivendo a própria sorte!


Ó pátria Amada!
Idolatra!
Salve! Salve!

Brasil há muito tempo nesse sonho antigo
Desse lábaro que ostentas apagado
E o que me diz desse verde - louro dessa flâmula?
De um povo que é resquício de colônia e de passado?

Mas se nos erguermos mostraremos como somos fortes
Verás que o filho teu não foge a luta
Avante, sentirás que a vitória não tardará
Matarás essas torpes e hipócritas  condutas
E mostrarás que o Brasil não mais dormirá!

Mostraremos a Terra que nos é adorada
Entre outras Mil
És tu Brasil
Verdadeiramente amada!
Dos filhos da dor, do descaso, e da corrupção senil
Pátria Esculhambada
Brasil!!!