segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Milagres







Se dos olhos nascem doloridas imagens
Se do pranto calado nasce o Grito
Se da bússula do engano cria miragens
Perde-se o ar, a voz e o tino...






Se dos beijos criou-se os tapas
Se das recordações tantas feridas
Se do tempo vazio a última etapa.
Perdeu-se a orientação para chegar na medida...






Se meu peito arfou de dor meu próprio engano
Se aos ventos dei o meu amor
Se a rosa dos sonhos matei como profano
Ao passado deixei as lembranças de todo o esplendor!






Se a Deus reservamos à todos os Milagres
Se pedimos aos passos o Louvor
Peço aos céus que me entregue as verdades
Os ensinamentos que o Senhor nos ensinou!






Quero o sorriso perdido
Silêncio ao escandoloso Grito
Ao peito respirar tranquilo...
Da rosa transformada em erva daninha
Girassóis a procura da luz no infinito






Creia em seus próprios milagres
Dê aos seus olhos outras imagens
Se do medo gerar dúvidas
Se dos caminhos surgir pedras
Lembra-se que Deus te ampara na Queda
A tudo na vida há uma hora certa
Dê a ti o seu rumo, sua bússola, sua esfera!





Poema escrito para todos aqueles que sofrem





Camilla da Silva Ribeiro

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Se você pensa...




Se você pensa que me manda
Que sou apenas mulher na cama
Fique longe de mim...
Não me diga mais Nada... Nada!
Dê a tudo um fim!



Se você pensa que de tudo esquecerei
Que com beijos ou prazer farei de você meu rei
Equivocou-se, meu bem!
Sou dona de meu destino
Aos que ficam me dedico, aos que vão Amém!



Se você pensa que palavras vão me comprar
Que com promessas sem fundamento vai me domar
Ah... Ah... Então não me conhece!
Dê à Deus apenas uma prece
Para te salvar do inferno que merece!



Se você pensa que sou mais uma puta
Que desconheço sua falsa conduta
Aconselho-te à ir a luta
Não sou flor à ser cheirada
Para depois ser arrancada e pisada
Dou valor aos que me querem bem!



Se você pensa...
Pensa tudo e não chega a nada
Construindo castelos como ilusória morada
Escute a minha voz sussurando Adeus
Desmoronando os tijolos dessa loucura
Soterrando-te sob os escombros, sem a luz dos olhos meus!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Trem




Chegou o último trem, o relógio marcava onze da noite. Escutava-se o murmúrio de pessoas se deslocando de um vagão ao outro. Eram uníssonos dispersos e misturados aos passos, sons da vida... Eu estava entre eles, produzindo o mesmo ar e correndo com a mesma pressa. Chovia frias gotas sobre os trilhos, tão cansadas e finas que se tornavam imperceptíveis aos olhos.




O trem se movimentou, escutava o martelar de suas rodas no ferro e sentia o cheiro de querose se queimando... A velocidade ia aumentando deixando para trás as casinhas do suburbios, árvores e ruelas sem nome; meus cabelos volitavam por cima de minhas espáduas e os longos fios conheciam a atmosfera ao saírem pela janela. Pensava enquanto meus olhos se fechavam tomados de um torpor, de cansaço. Era mais um dia a ser esvair, mais um breve e silencioso instante movido pelo tempo que morria com a chegada dos fatos. E eu morro.... Morro a cada sopro de vida, enquanto o peso dos segundos se transformam em minutos, horas, dias... Décadas.

O trem estava chegando em seu destino. Avistava lugares conhecidos, paisagens por onde meus pés pisaram... Conhecia aquele montículo ilmuninado por postes de luz fosca e as mesmas construções a fazerem parte de minha história no passado e no presente. Podemos dizer, nostalgico... Lembro ainda do parquinho e das brincadeiras na gangorra e como tocaria com os pés no céu cheio de estrelas ao voar com o gingado do balanço... Lembro do mesmo portão e de como meu corpo se encostava junto ao seu. Eram inumeras palavras de amor, promessas tão curtas quanto uma viagem para o céu. Ainda consigo ouvir o estalo de seus lábios em meu ouvido, sua voz ao penetrar languidamente minha alma... O trem se vai... Vai.. Vai... Parece correr enquanto o meu coração bate e o tempo se esvaí... Morro a cada lembrança esquecida, a cada passagem, trecho, parque, sonhos perdidos... Morro porque sei dos segundos produzidos pelo piscar de meus olhos, do simples construir das linhas de meu rosto. Tenho consciencia que a vida é qual um trem ao chegar em se destino. Antes disso, vivemos, amamos e sofremos. Percorremos as mesmas estradas, conhecemos os mesmos caminhos e lembramos de muitos fatos.

Camilla da Silva Ribeiro

Trecho do livro " O Reio do Lixo"


Olá Pessoal!

Estou colocando um pequeno trecho do meu livro. Faz parte da introdução. Como achei bem poético, resolvi colocá-lo. É uma carta deixada por uma personagem.

Quando estiver com a Introdução já feita, aviso, para que desfrutem de mais pedacinho de meus sonhos.

Braços!!

" A chuva cai. Sua musica é uma ópera, uma ópera de assobios ao açoitar as vidraças da janela. Eu vejo cada gota cair, escurecendo os montes outrora verdejantes. Elas tornanam o céu um manto recheado de nuvens negras, qual um buraco invisível, uma esfera morta.
A chuva cai. Ela grita enloquecida assustanto os pássaros noturnos. Vibra as paredes de minha casa ao formar um dueto com os trovões enquanto elétricos raios bailam... Vejo ao longe, de meu quarto, o penhasco iluminado pela tempestade, e sei que por trás dos rochedos existe um vazio a esconder os riachos da planíce ao leste.
A chuva cai. Possui um cheiro refrescante e ao mesmo tempo asfixiantemente lágrime... São as lágrimas de todos que partiram ao se juntar num só momento. Eu choro juntando meu lamento aos deles... Pois eles se foram quais notas perdidas de uma canção, como uma pena leve e branca voando na imensidão dos ventos... Dos ventos que sopram das montanhas infinitas do além.
Escrevo enquanto a tempestade de minha alma reverbeava por entre as paredes de mim. Então, a chuva cai... Cai... Cai... Despeço-me de todos, mas não daqueles que ainda respiram o ar da vida, mas sim o ar da morte, pois apenas quero fechar meus olhos e não enxergar e sentir a dor da perda.

Camilla da Silva Ribeiro