domingo, 24 de julho de 2011

Ausência





O vento me soprou frases, a sinfonia refrescante da chuva. As árvores balançavam alisando o ar, bailando enquanto as ondas beijavam os recifes nos recantos da praia. Eu conseguia enxergar além dessas janelas grandes e opacas, uma bruxuleante e trêmida luz gerada por um farol perdido no horizonte engrecido do mar.
Apesar do manto negro da noite estirar seu lençol azul marinho sem estrelas sobre a superfície da terra, ainda havia uma pálida lua a se esgueirar por trás de monticulos. Escondia-se dos meus olhos sagazes e de minha observação, até morrer para sempre atrás das formações rochosas.
Havia um sussurar, um sopro ou quase uma melodia ressoando das cordas vocais de um pássaro noturno. Não podia vê-lo, mas suas asas se debatiam em alguma árvore e suas penas rossavam nas folhas até gerar uma estranha música em meio ao silêncio.
Esperava-o chegar, decifrar sua silhueta na escuridão, visualizar a sombra de seu ser no chão, a emergir dos portões. Não chegava e minha companhia era apenas as gotas da chuva a se debaterem languidamente sobre os telhados da casa.
Sentia o calor do fogo crepitando da lareira enquanto que sua luminosidade se estendia pelo quarto, a iluminar nossa cama parcialmente desarrumada, a mesa que ainda abrigava seus papéis recém escritos. Mas você não chegava, mas uma vez não vinha... Estava tão longe daqui... E eu olhava... Olhava, com frio. Um frio a sair de mim.
Lágrimas deslizavam por minha face levemente, tocando meus lábios. Morriam ao escorrer pelo meu pescoço e encontrar o vazio da atmosfera. Na mente lembraças dos tempos felizes emergiam das raias de minha consciencia, voltando sobre meus olhos, revivendo com força sobre meus pensamentos e fazendo explodir sobre meu peito mais uma vez nosso amor... Minhas mãos espalmaram sobre o vidro da janela e de meus dedos um suor marcou os contornos. Fechei os olhos e o pude ver mais uma vez... Mais aos abri-los, lá estava a chuva a denegrir a amplitude da paisagem... Trazendo-me a certeza que não estará nunca mais aqui! Tudo estava vazio, sem nada.
Estou mais uma vez sozinha esperando por algo que nunca chegará. Você se perdeu de mim, seus passos nunca mais marcaram o assoalho de minha casa, sua voz será apenas o grito de um pássaro perdido em uma tempestade, seus olhos serão um farol no vácuo sobre o olhar de um mar escurecido por uma noite sem estrelas...
Sou uma gota, uma gota de chuva... Sem você, apenas me debaterei sobre um telhado a sentir o impacto de sua ausência e jazerei para sempre a mergulhar nas sombras da inexistência...
Fechei as cortinas. Você nunca mais estará aqui. Não há como mais esperar...


Camilla da Silva Ribeiro

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2 comentários:

  1. Olá, tem um selinho pra você no meu blog. Espero que goste!

    Beijos e boa semana.

    http://s-umavidapararecordar.blogspot.com

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  2. seguindo...

    http://lovesongone.blogspot.com

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