segunda-feira, 18 de abril de 2011

Despeço-me



Despeço-me das lembranças
Estão sendo levadas junto as folhagens
Para tão Longe daqui
Para continentes distantes
Para fora de mim...

Despeço-me do som da sua voz
Notais sonoras silenciadas pela ausencia
Jogadas em um poço escuro e sem fim
Somente há ecos indecifráveis
Que ecoam para fora de mim...

Despeço-me do brilho do seu olhar
Raios lúridos agora apagados
Levados para a noite
Para Universos perdidos, constelações desconhecidas
Para fora de mim...

Despeço-me com certeza que um dia te dei o horizonte
Que te libertei do que sempre fugiu
Para dar aos teus pés a confiança
De caminharem para aonde sua vontade preferiu
Para fora de mim

Estou agora no fim do tunel
Aonde ficam ancorados os barcos
Ao sentir a eterna dança das ondas
No bailado que se chama vida.


Camilla da Silva Ribeiro
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Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

Um comentário:

  1. Deus! Como pode um ser humano escrever tamanha beleza como Vinícius de Morais! Belo! Um dia hei de escrever como ele! Hei de escrever! Muito Obrigada!

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