quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Terceira Pessoa do Singular



Ele seguiu rastros de estrelas
Procurou o fim do arco-iris
Para saber que nada tem fim
Bebeu da seiva brilhante das matas
Tomou banho em águas geladas
Para encontrar uma profundeza abstrata
O sentido que há em si!
Nas miragens do nada
Pisou em terras abandonadas
De verdades não enxergadas, vias mal iluminadas!


Ele Proferiu juramentos
Fez de atos mediocres sacramentos
Para que um dia as promessas virassem excrementos!
Saciou-se das alegrias mundanas
Cheirando ópio amargo da ilusão
Vivendo incognito nas redes da escuridão!
Mas mesmo assim, tentou achar a trilha para o mar
Encontrando apenas as águas entorpecentes do vazio
E esmorecendo em correntes de frio.

Ele buscou a felicidade
Em lugares, por tado parte
Buscou controlar a solidão
Matar o sem sentido deserto de seu coração
O tédio que escravizava e o levava para outra direção!
Tentou enxugar as lágrimas pulando de penhascos
Mentindo, culpando, aos seus abandonando
Mas olha só! Ele só queria ver o mar!
Será muito conseguir aprender a amar(pergunta)

Ele chorou e chorou
Perdeu a chave que abre as portas
Fez de sonhos de paz revoltas
Para encontrar apenas desespero em sua volta
Mas Meu Deus! Ele apenas queria Vencer!
Não pretendia nas buscas da vida esmorecer
Nem procurar em vícios pérfidos o prazer
Ele só precisa te conhecer
Agarra-se a ti e adormecer
Num embalo doce de glórias
Redenções.

Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Despeço-me



Despeço-me das lembranças
Estão sendo levadas junto as folhagens
Para tão Longe daqui
Para continentes distantes
Para fora de mim...

Despeço-me do som da sua voz
Notais sonoras silenciadas pela ausencia
Jogadas em um poço escuro e sem fim
Somente há ecos indecifráveis
Que ecoam para fora de mim...

Despeço-me do brilho do seu olhar
Raios lúridos agora apagados
Levados para a noite
Para Universos perdidos, constelações desconhecidas
Para fora de mim...

Despeço-me com certeza que um dia te dei o horizonte
Que te libertei do que sempre fugiu
Para dar aos teus pés a confiança
De caminharem para aonde sua vontade preferiu
Para fora de mim

Estou agora no fim do tunel
Aonde ficam ancorados os barcos
Ao sentir a eterna dança das ondas
No bailado que se chama vida.


Camilla da Silva Ribeiro
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Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

Desejo



Segura em minha nuca
Faça-me Arder
Gemer
Querer
Como nunca

Não quero dormir
Mas te Sentir
Possuir
Tudo decidir
No jogo do ir e vir

Minha boca ao te beijar
Irá Tragar o ar
De tesão nossos corpos vão se molhar
As salivas de vinho e amor a se misturar.

Na morte do ato final
Vou dar teu trinfo, teu cansaço
Nos meus braços o último sinal
Dos requícios dos céus azuis após o temporal.

Camilla da Silva Ribeiro

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Preciso de Você


Perdi-me nos seus olhos e conheci outros mundos
Esferas celestiais, no seio silencioso do irreal
Desenho do infinito pintado com matizes
Planetas perdidos, tão distantes e passionais.
Deslizei pelas nuvens para tentar chegar a você
Contornei vales, quase cai em penhascos
Usei a ajuda das cordas da paciência
Escalei os muros das defesas
Para encontrar do outro lado o Rio dos Medos.

Está tão difícil chegar sem nenhum arranhão
Sem ferir ou perder uma parte de meu coração.
Nas nuvens eu pisei, se desintegraram e viraram ar
Nos vales escuros me deparei com a cegueira
Nos Penhascos da Paixão fiquei a um passo da desilusão.
Os muros eram tão altos! Quase morri de tanta exaustão!
Nos rios de seu medo me afoguei nas lágrimas da emoção!

Então... O que encontrarei após me debulhar em tanta água?
Preciso acreditar que depois disso, não encontrarei desertos.
Nem obstáculos construídos por seu ego
Preciso da retirada dos barrancos
Estradas sinalizadas e asfalto liso
Preciso encontrar meu destino
Um destino certo: O de seu coração.
Pois estou muito cansada de caminhar,
Sem ter os vestígios de sua acolhida final.
Sem possuir o que sempre busquei: O seu amor.

Camilla da Silva Ribeiro

terça-feira, 5 de abril de 2011

LIVRO A SER INICIADO!!


Boa Noite, meus amigos

Estou entrando em contato para informar que irei criar um novo blog.
Esse blog é diferente, pois não se trata mais de poemas, mas sim de um livro que estou a começar a escrever.
Será minha primeira obra ficcional a ser aberta ao público, algo que será muito difícil para mim, pois dará curso à uma parte muito importante de minha alma... E isso, como novidade, faz com que haja um sentimento de medo...
Então, espero que assim que for criado, agrade à todos!
Espero dividir um pouquinho mais de mim mesma


Obrigada!
Att,
Camilla da Silva Ribeiro

Você consegue me ver agora?


Você vai ler o que vou escrever? Irá absorver as palavras escritas e jorradas de dentro de mim e do meu coração? Consegue então enxergar a dor que delas sai e sugar delas as lágrimas que agora caem dos meus olhos?
Todo amor que um dia te ofereci ainda está aqui, tão intenso como no primeiro dia, quando meus olhos encontraram os seus. Meu mundo foi entregue sem mais, no embalar tão silencioso das suas pestanas e no sorriso despreocupado que desenhou os seus lábios.
Eu reparti muito mais do que o vinho e o pão ou poucas horas de divertimentos. Eu reparti uma parte grande de minha alma. Deixei que adentrasse em minha essência e escutasse a brisa delicada de mim mesma, um solo tão distante, aonde nenhum homem dantes havia pisado. Nunca fui de palavras de amor ou mesmo de deixar que desvendem algo que tão secretamente escondi das pessoas. Mas simplesmente eu deixei você me enxergar por dentro , quando nossos lábios se encontraram, nossas histórias se misturaram assim como nossos corpos e pensamentos... Mas ai me questiono se verdadeiramente alguma vez você me viu.
Agora aqui estou a contemplar a noite chuvosa, as copas das árvores molhadas exalando um cheiro refrescante. Percebo algumas vozes de casas vizinhas, o som das televisões ultrapassando as paredes de meu quarto... Sinais sonoros de gente no mundo. Sinais de existencias a não ser a minha. Então, a certeza da nostalgia que paira sobre minhas sensações se faz presente, como a colossal verdade que sou invisível... Estou me sentindo tão sozinha, algo que não sentia antes de te conhecer, antes de conhecer o que eu achava que era seu amor.
Será que revelar um sentimento ou oferecer uma parte de si mesma deixa ao ser humano tão vazio? Acredito que sim. Pois estar sem você é sentir um deserto a rondar os passos, a incessante luta para ter algo mais, sem nada ter. Ficar sem você é tão dolorido, uma parte muito importante a ser arrancada... Uma parte fundamental para sobrevivencia.
Seus passos caminham por outra direção e seus pés foram os próprios que escolharem as estradas que resolveram seguir. Perguntou-me: Será que agora estando tão longe consegue me ver? Será que a saudade dos momentos ainda perdura nos pensamentos?Essas perguntas não sei como responder, pois que não há como atravessar a rede das suas verdades, entrar nas batidas de seu coração e explorar a intensidade e veracidade de seus sentimentos.
Simplesmente, agora sinto-me transparente como ser humano. Sinto que meus sentimentos não foram relevantes e que a parte que foi dada não teve significancia, pois que foi exterminada de um momento para o outro... Atirada como a uma pedra no mar, espero apenas a força das ondas me levarem de volta a superfície da praia... Submergir das pronfundezas e contemplar mais uma vez a luz do sol. Espero como à todos mais uma chance de ser enxergada.

Camilla da Silva Ribeiro

domingo, 3 de abril de 2011

O Trecho sem sentido


Fechei meus olhos para prender as lágrimas que iriam rolar ...
A dor me dilacerava a alma e sangrava meu coração
Desde então, fraca e muda, não sei para aonde vou. Não sei mais aonde quero e posso estar.
Nas alamedas de meu destino encontrei ilusões em forma de aosis
Sonhos revistidos pela capa falsa de uma coragem vazia e inexistente, que se entitulava a VERDADE.

Camilla da silva Ribeiro

Tempo Escasso




A maior parte do tempo estou sozinha, conversando comigo mesmo através dos pensamentos, interagindo com o som da minha própria voz, camuflada pelo silencio de meu exterior. É algo totalmete estranho, pois que parece que houve um isolamento íntimo, algo imposto por minha própria vida. Às vezes (quase sempre) nem percebo que isso me ocorre, com todas atividades do cotidiano. Vivo de acordo com as necessidades do relógio e corro para estar em dia com minhas responsabilidades.
As pessoas nos quais amo ficaram para trás, perdidas no vácuo de minha casa e escondidas e totalmente enterradas em meu passado. Estou presa em meio a uma camada grossa de vidro, cercada por mim mesma. Pergunto-me: Como tantas pessoas conseguem viver sem poder externar a essencia de si mesma? Ai, respondendo a essa pergunta, e vivenciando tal acontecimento percebo que é muito frequente estarmos solitários no meio de tanta gente e tão vazios de significado. De repente, não temos nada em nós, apenas uma breve necessidade de sobreviver... Precisamos ter títulos notórios para mostrar nossa falsa riqueza interior, ouros nos cofres para demostrar nosso poder perante os mais fracos e nossa inutilidade na arte de amar e por fim, necessitamos de bajuladores dissimulados para mostrar que somos amados... Mas esquecemos que para que tudo isso aconteça devemos acordar toda manhã e vestirmos nossa roupagem feita de aparencias, sorrir quando queremos é chorar, viver sem mesmo saber o porque... Ás vezes penso que sou uma máquina andante, indo à esmo pelas estradas da vida, no meio de tantas pessoas cujos objetivos são iguais aos meus: Apenas de estar vivo e continuar mais um dia. Seja esse estudando ou trabalhando. Correndo, sem tempo de pensar no que verdadeiramente é para ser pensado.
O tempo é escasso. Cada dia que passa é um virar dos ponteiros do relógio e é uma última oportunidade de enxergarmos as pessoas que estão ao seu lado. Já disse ao seu marido que o ama hoje? Ou antes mesmo de abrir os olhos pela manhã já correu porque o onibus das sete irá passar em cinco minutos?... Frases de amor levam apenas alguns segundos para serem ditas, mas perduram por toda eterniadade nos ouvidos de quem as ouve. Abraçar seu filho, contar uma passagem engraçada para seus verdadeiros amigos. Oh, momentos tão lindos! Quando vamos aprender a ter tempo para a vida ?
Escrevo esse texto, olhando às horas . Penso que amanhã bem cedo tenho que trabalhar. Mas eu preciso e eu quero amar. Amar as palavras que saiam de mim, que voam em sinfonias no batucar de meu teclado. É a única coisa que nesse momento eu posso dar, pois depois... Depois não vou ter tempo... Não terei tempo de te contar.


Camilla da Silva Ribeiro