domingo, 27 de março de 2011

Eu Mesma




Estou presa numa rede infindável de linhas. Estou presa dentro de mim, mergulhada no abstrato desejo de minha alma, no incoerente desafeto moral que me sucumbe à paz. Olho com esses olhos pantanosos o meu interior oco e cheio de poeiras onde o eco de meus pensamentos transgride as barreiras do inconsciente num coral de vozes mudas.
E as imagens que se congregam as lembranças turvas de minha memória? E assim em valsa as figuras dançam, no espetáculo do indecifrável, nos desejos que encantam, nas miragens que me alucinam... Deslizo regressando as passagens tão loucas de minha infância onde céu era azul e a tempestade encoberta pelos meus olhos de criança. Chamo-me: Onde estou? E sorrindo vejo que estou perdida dentro de mim e as lágrimas se esfregam cristalinas e deliciosamente salgadas no canto de meus lábios semicerrados.
Estou presa deslizando nas nuvens sem fim, me completando a cada passo, me conhecendo como nunca fiz. Contemplo escolhas sem tolerância, palavras impensadas e atos tão pequenos que fizeram me sentir como se fosse nada. Alisei os colchões do medo encontrando o turbilhão de mentiras inventadas para satisfazer meu ego tão cego quanto as minhas verdades. No intelecto moral degradei-me entre presságios infantis alimentando-me com o egoísmo sedento, amando os conceitos de uma sociedade dilacerada pelo o orgulho e a mesquinhez. Eu perguntava e respondia as perguntas e depois dizia que a vida era apenas uma extensão rasa de insignificância. Revivi minha adolescência e meu sorriso tão despreocupado, dando aos meus pais as discórdias de minha imperativa personalidade. Senti frio no calor de meu lar, vazio quando as primeiras descobertas se fizeram revelar no calor tempestuoso de meu corpo. E a inocência se perdeu dando asas a minha conduta, me chamando para o mundo tão sedento de responsabilidades.
Agora me pergunto: O que sou? E como mudo se agora sou um quarto escuro num clarão que vem ao longe? Chamo-me, grito dentro de mim! O que há dentro de mim?O que há no meu passado que me torna tão infeliz assim? Agora os conflitos de minhas escolhas se espelham nos meus passos tão errados... Vi de lá uma pessoa que fez o que parecia que tinha que ser feito, um ser que independente de seus erros espera um caminho que o leve para uma estrada de flores do campo onde pássaros cantam saudando-o. Vi que meus medos são chuvas que com o conhecimento das causas de minhas dores e aflições serão levadas pelo vento e para dentro de meus pensamentos nascerá um sol que esquentará o coração de esperanças e vitórias. E percebi que apesar de tudo tive momentos tão lindos que me fizeram aguentar as ambiguidades e as vicissitudes... Só nos cabe procurá-los lá no fundo da alma transformando a paisagem negra num espetáculo de luz.
Por Fim aprendi que a infelicidade não existe e sim uma visão destorcida dos valores morais que te levam a buscar a felicidade em lugares, em conceitos e em desejos que são o painel pintado pela ilusão. A felicidade só pode ser um elemento imaginativo de minha pessoa o que nos resta é viver e aprender cada vez mais com os ensinamentos que a rotina, as dores, os desafetos nos dão com clareza e resignação.

Camilla da Silva Ribeiro.

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