segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Uma Carta de Amor



Meu Amor,

Não há palavras para definir como meu coração bate agora... Tão suave, como as ondulações das luzes na aurora arboreal. Fecho meus olhos e consigo enxergar além das íris. Consigo assistir nossos momentos em detalhes e viajo nas impressões anteriores. E você está aqui novamente. Sua risada ainda atinge todos sons desse quarto, absorve meus ouvidos. Seus gestos, palavras, beijos. Sinto sua presença viva e ao meu lado.
Eu precisava dizer tantas palavras e mostrar minhas vitórias. Percebo que já não está aqui para escutar a narrativa de meu dia tumultuado ou meus passos tão comuns e monótonos. Gostaria de reclamar daquela vizinha que me acorda às três da manhã e relatar como nossos filhos crescem com saúde e alegria. Mas você não está e não escuta a voz que ressoa de meu ser. Olho na janela e percebo o horizonte negro. É noite. Eu pergunto as estrelas se são capazes de escutar a voz calada do meu lamento. Se podem levar a mensagem abstrata que corre em mim e que está preso em meu olhar... Oh, onde você está (pergunta).
Meu amor, você partiu sem ao menos dizer adeus. Levou na sua mala uma metade grandiosa de meus sonhos. Deixou-me à espera do som da chave que roda na fechadura, dos sapatos a batucar nas tabuas de madeira da sala e ao gemido estridente do piano em meio a madrugada. A falta que você me faz é tão grande que às vezes penso que estou oca por dentro, vazia. Nessa horas sinto uma raiva tão grande que lágrimas rolam de meus olhos e banham a minha face. Não consigo atinar o porque me deixou e o quanto foi fraco por se deixar levar por tudo o que nos aconteceu... Então, deixo o tempo me levar no tique taque mordaz que se arrasta. Eu espero a sua volta... Eu te espero na sala de estar
Mas a verdade que nunca voltará para mim. Suas últimas semanas de vida mostraram quanto seu sofrimento era palpavel e que os sons de sua cosnciencia se esvaíam pouco a pouco. Eu precisa apenas te contar que meu amor é tão intenso quanto as profundezeas de um mar, como o infinto estrelado do universo e tão belo quanto a imagem do pôr do sol de verão... Precisava te dizer que se a vida é eterna como muitos contam, eu te peço que me espere no final do túnel, quando meu ultimo suspirto soar de meus lábios. Eu preciso sentir que há uma esperança e que para nós não existe um fim
Meu amor, essa carta é para dizer que quando tudo acabar, eu vou novamente te encontrar. Segurar as suas mãos, me colar em seu abraço... Efim, te eternizar em mim.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Lágrimas


Tristes, ensopadas de febre, de dor.
Cantadas, dançam em minha face em ardor
E violadas por mãos, Gritadas em medo genitor!
Voam ao ar sufocando as palavras, chamando o destino reator.

Deixei-as rolar nas iras da agonia
Nas discórdia engolidas, por minha felonia!
Beijei-as, amando-as nessa cruel ironia
Desfalecendo cansada no final de cada dia...

Desabafei o torpor de meus enganos
Sei que fui sangrado, rasgando... Inflamando
Nas migalhas da rotina, nos desafetos calando.

Delas fui bebendo e com elas fui crescendo
As prisões dos conceitos, dos tormentos, me desenvolvendo
Nas vitórias envelheci, e na morte delas ainda dependo.

Camilla da Silva Ribeiro.

Amor de Mentira



Nosso amor foi uma mentira
Uma mentira velada por palavras
Sussurada pelos ventos aos pensamentos
Uma história cega de sentimentos

Nosso amor foi uma mentira
Tão certa para os tolos
Tão romantica para os que querem
Sem saber que do peito facas de dor ferem.

Mentira dos labios de que um dia disse amor
Sem saber que a tanto amargor causou
Nas miragens das felonias
Foram cantadas em arabescos as suas sinfonias

Mentiras que ressoam nas paredes
Revoam pelos mares da emoção
Passam pelas vertentes, explodem no Coração
Quais cacos de vidro a quebrarem sem direção

Para que tanta mentira?
Fico a procurar um fio de verdade
Navego pelas imagens
Percebo que só foram miragens
Compostas de tanta falsidade!

Nosso amor foi uma mentira
Talvez apenas para mediocre distração
Como se fosse o encanto das estrelas.
A própria canção feita pela sedução.

Agoro me pergunto onde andará
Mas com absoluta certeza que contigo não quero estar
Palavras são fácies de ser ditas
Ações é que são difícies de serem seguidas
Quando se é amor feito de mentira.


Camilla da Silva Ribeiro

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Despedidas


Nunca repare em meu olhar. Não acredite em minhas palavras jogadas ao vento como um veneno. Não sou uma pessoa que se deva confiar para sonhos de mel onde a felicidade é atributo só para você. Sou o que preciso ser.
Não quero que sugue todo esse meu veneno, mas sempre é preciso acreditar. Não bata novamente em minha porta. Telefona-me se a coisa apertar.
Não quero que fique preso ou remoendo o passado, pois é preciso viver o presente em todo o instante. Não chore quando lembrar de minhas palavras absurdas, acusações, palavrações. Esqueça as roupas rasgadas, o cigarro interminado, os objetos quebrados, as crianças, os sonhos que derramei ao te xingar, a te apontar... A manhã é uma cortina de sangue derramada em raios de sol. As malas, a sua face pantanosa e escurecida pelos momentos noturnos é a ultima lembrança que quero guardar. Já atirei seus retratos na Baia de Guanabara e nesse momento eles bóiam junto aos excrementos... Mas ficou as noites das primaveras e a o amanhecer do verão. Tire-me sua essência, o seu sorriso e me faça entender que nada mais existe do que esse vazio que há meu ser... Pare de me chamar. Preciso viver e esquecer que sou um mar seco evaporado pelos raios da dor.
Acabou e o mais belo dos versos de um poeta se rasgou e foi queimado virando cinzas. Esqueça e beba como o fel o vinho do remorso. Seja feliz mesmo sabendo que me traiu, me arrasou. Sabendo que minhas manhãs sem os seus abraços são sonetos de estrutura vulgar. São desertos. São canções desditas... Seja feliz, pois que te perdoo mesmo sabendo que me traiu.

Camilla da Silva Ribeiro.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Luz do Sol


Na janela de manhã, saúdo o sol com meu olhar que o vê todinho turvo, com os seus raios que beijam meus olhos aflitos e lacrimejados de irritação. Abraça-me a pele, me canta o nome dando aos pássaros a motivação.
Clareia a manhã com seus abraços abraçando-a em extremo calor. O véu de nuvens se encanta pintando céu de branco e azul, dando a beleza tão simples que não há dinheiro que se pague.
Perfuma os mares de maresia, colori as montanhas de flores do campo num verde puro, num branco celeste dando a vida em sereno amor.
Assim as plantinhas, os canteiros de rosas, as pupilas, as tulipas florescem espelhando suas alegrias com perfume a se fundir com o amigo vento que de alegria canta operas, espalhando polens para uma nova flor.
Sussurra arvores de troncos compridos com sua folha a ser beijada e nesse embalo as frutas amadurecem para lábios insaciados.
Assim a vida se estabelece, no doce quadro da natureza, para o homem ser abençoado de encantamentos, de sonhos, inspirações. Mas para que se da vida se torna a morte? Se dos sonhos se torna a dor? Se das aspirações apenas crônicas de infelicidade e amargor? Cadê seus olhos que não reconhecem os céus azuis que se florescem! Há de Deus que se entristece de te vê só e infeliz, sem encontrar o seu matiz!
Sem o sol regresso ao interior do meu lar, entre paredes sólidas e frias... Vendo estofados, objetos sem vida que brilham sem ao menos brilhar, um relógio que conta às horas e que me chama a uma realidade cega de espetáculos. Vencida... Infelizmente fico perdida, sem saber o ponto de partida para ajudar os da vida como a natureza o faz.

Camilla da Silva Ribeiro

Vida


Espero que a vida seja transparente como uma água potável de gosto puro e que me oferece o sustento

Espero que a vida seja uma cantoria no meio das rajadas violentas das armas de fogo que estrondam a madrugada. A madrugada de guerra.

Quero que a vida seja um sonho de felicidade permanente, onde cada suspiro de dor seja uma palavra confortante aos ombros daquele sofre.

A vida teria que ser uma certa melodia que se joga ao ar como uma gargalhada de criança a brincar nos jardins imperiais das lembranças adormecidas.

Se a vida fosse uma eterna esperança arrancaria de meu peito a raiz de meus desesperos e as lágrimas de meus olhos.

Seria como um pássaro a voar em liberdade e eu me desprenderia das correntes que prendem para o sofrimento.

Espero que vida seja a coisa mais bonita que eu já conheci.

Espero que os rastros da maldade que cercam as belezas infindáveis da vida desapareçam como fumaças no progresso de esperanças, lembranças e alegrias no coração do homem que vive, sonha e espera algo melhor nessa caminhada ao topo da luz.

Espero que a vida seja como lágrimas que caem dos olhos feitos um orvalho de paz e semeia os passos do homem de ontem e o de hoje.

Solidão



Nesse quarto escuro, eu sinto a solidão
Compressando meu peito, tirando o ar
Pensamentos voando sem direção
Um vazio sentindo, apatico e singular.

Solidão
Um silêncio que grita dentro ser
As vozes que escuto quando vem o amanhecer
Frutos da nostalgia, miragens do que fui um dia.

Solidão
Presa estou nas redomas de vidro
Que nem com um grito pode quebrar
Tão cercada por aparencias
Tão adequadas e certas, para todos enganar.