terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Fotografia


Guardei sua fotografia na gaveta.
Estava suja, empoeirada e amassada.
Junto à ela estão meus maços de cigarros usados.
Papéis descartados de trabalhos perdidos.
A luz dos seus olhos me cega.
Seu sorriso me renega as felicidades que outrora conheci.
Suas linhas faciais são quais um labirinto, redes de estradas sem fim.
Na fotografia lá estava um homem que sorria.
Entre os olhos recheados de esperaça estava um rasgo.
Manchas amareladas cobriam o papel preto e branco
Revelava o tempo que se foi que nunca era esquecido.
Estava guardado, tão fechado nas estranhas do meu ser.

Olhava a fotografia em frente a janela
Lá fora o céu me sorria e os pássaros cantavam
O mar deslizava a tocar a areia bege da praia.
Mas meus olhos não olhavam as belezas cristalinas de Deus
Ficava a me remoer de um passado
Que nunca fora o meu.
Pois que você se perdeu nas esquinas infindáveis das ruas
Teceu teias infindáveis até encontrar o seu verdadeiro lar.
Fixou-se apenas onde era o seu lugar.

E o que faço? Se você ainda está aqui?
Quando eu abro a gaveta e vejo seus olhos só para mim
E me lembro do que fui nas aragens perdidas do passado
Fecho os olhos e escuto suas gargalhadas
As lembranças sonoras de nossos momentos gloriosos.
Você foi, mas ainda está aqui... Dentro de meu coração
E fico assim tão perdido quanto uma criança
Esperando apenas uma esperança
De que volte para mim.

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