domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu pensei,


Que pudesse encostar as pontas dos dedos nas estrelas
Que o amor explodiria no peito feito cometas
Que pudesse amar sem me ferir
Retornar a mim mesma, estar de onde parti.

Ó tão sofrida é a desilusão!
O amor é que nem um furacão
Devora sonhos, momentos, o coração!

Eu pensei tantas coisas para dizer
No silencio da noite, diante do amanhecer
Eu pensei que pudesse errar e me redimir
Sonhar sem nunca acordar, acreditar sem questionar.

Ó tão sofrida é a desilusão!
As lembraças são que nem uma canção
Toca na alma, afunda nas vertentes da emoção!

Eu pensei que escalar montanhas fosse o suficiente
Para chegar ao topo de seu coração
Mero engano, não se pode chegar sem autorização.

Eu pensei! Ah eu pensei tanta coisa!
Que poemas eram flores
Que de declarações surgem amores
Sem me importar com possíveis dissabores

Eu pensei que me amasse
Mas para você só foi uma frase
Solta, perdida e infeliz!

Camilla da Silva Ribeiro

Poema feito em 08-10-2009

Devo



Devo dizer que te amo
Mas do que na primeira vez
Devo dizer que te venero mais do que qualquer um.

Devo lhe dar rosas
Entregar meu pobre coração
Entregar juras infindáveis
Que ecoem no ar com a força de um trovão

Devo lhe reservar momentos agradáveis
Como nas ondulações do vento e do mar
Resistir as tentações de uma noite sem lua.
Resistir a este medo que torna meu amor incapaz.

Desenharia no meu mundo gaivotas que voam na imensidão
Sonhos, projetos que invadam o seu mundo.
Desenharia, se possível as linhas que chegam ao meu coração.
Se possível combinava com os pássaros a revoada que levasse ao encontro do seu intimo, pensamentos.
Se possível eternizaria seus olhos, seus lábios, sua voz... Diria apenas devo... Devo-te... Devo te amar para sempre.

Camilla da Silva Ribeiro.

Laços Cortados



Rosa de pétalas arrancadas, de caule cortado, com espinhos cravados.
Deixe de sofrer, ferir, bater, chorar, amaldiçoar, maltratar, depois saber e se arrepender...
De se humilhar!


Será que é como proferes, como profetizas o nosso amor?
São lágrimas avulsas perdidas com o vento agressor?
Punhais que se entregam à carne, que perfura o coração, formando a dor?

Sonhos regados de mentiras, em empáfias dolorosas, com sobejo desnecessário.
Deixa de cair, de se rasgar, de implorar, de mortificar caminhos, de se rastejar por entre pés, depois de não saber mais o por que dessa dor, desesperado enfim...
Queimando-se em quente marfim!

Será que é como proferes, profetizas o nosso amor?
São lágrimas perdidas com o vento agressor?
Punhais que se entregam à carne, que perfura o coração, formando a dor?

E lho peço para parar,
E você se põe a gritar
Em gesticulação põe-se a ficar...
Passos violentos que socam o chão, a pedir... A se humilhar.
E eu não mais te aceito, por não mais te amar.

Camilla da Silva Ribeiro.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Fotografia


Guardei sua fotografia na gaveta.
Estava suja, empoeirada e amassada.
Junto à ela estão meus maços de cigarros usados.
Papéis descartados de trabalhos perdidos.
A luz dos seus olhos me cega.
Seu sorriso me renega as felicidades que outrora conheci.
Suas linhas faciais são quais um labirinto, redes de estradas sem fim.
Na fotografia lá estava um homem que sorria.
Entre os olhos recheados de esperaça estava um rasgo.
Manchas amareladas cobriam o papel preto e branco
Revelava o tempo que se foi que nunca era esquecido.
Estava guardado, tão fechado nas estranhas do meu ser.

Olhava a fotografia em frente a janela
Lá fora o céu me sorria e os pássaros cantavam
O mar deslizava a tocar a areia bege da praia.
Mas meus olhos não olhavam as belezas cristalinas de Deus
Ficava a me remoer de um passado
Que nunca fora o meu.
Pois que você se perdeu nas esquinas infindáveis das ruas
Teceu teias infindáveis até encontrar o seu verdadeiro lar.
Fixou-se apenas onde era o seu lugar.

E o que faço? Se você ainda está aqui?
Quando eu abro a gaveta e vejo seus olhos só para mim
E me lembro do que fui nas aragens perdidas do passado
Fecho os olhos e escuto suas gargalhadas
As lembranças sonoras de nossos momentos gloriosos.
Você foi, mas ainda está aqui... Dentro de meu coração
E fico assim tão perdido quanto uma criança
Esperando apenas uma esperança
De que volte para mim.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pergunte à Maria


Se já abriu as janelas que dão para o norte
Se recolheu as flores do jardim
Se abriu os olhos após a cada manhã
Se perdoou seu erros, seu passado, as dores de marfim.

Pergunte à Maria se das lágrimas rasas
Sobrou um pouco dos sorrisos
Se ainda remoe os orgulhos bebidos em taças
Tão dimissimulados quanto a canção de um colibri.


Pergunte à Maria se um dia ela amou José.
Aquele que escreveu cartas e sonhos de cabaré.
Se ainda recorda das maravilhas de amar
E dos beijos roubados juntos ao luar.

Pergunte à Maria daquele seu vestido carmim
que moldava seu corpo assim
Se os lábios são ainda de fina flor
Que sugava aos meus com fascínio e fulgor

Diga a Maria que quem pergunta é o José
Aquele mesmo do cabaré!
Se lembrar de mim entre tantos nomes iguais
Diga que dessa Maria eu não esqueci jamais!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Mãe


Poema feito especialmente para a mulher da minha vida. Minha querida e amada mãe.

Você é uma de minhas únicas verdades, uma das poucas qualidades.
É o balsamo que alivia as minhas dores tão cravadas por punhais, por minhas mãos.

É a frase doce que brota de meus lábios porque de ti que encontrei a única frase que poderia ser dita “te amo”.
É uma pétala branca que desliza belamente pelo ar nas aragens refrescantes da manhã.
É o nascer do sol que se joga por trás dos montes abraçando com sua beleza e quentura as camadas frias e sólidas de meu ser, fazendo de sua chegada algo mais lindo de ser visto.

É o cantar que ressoa em meus ouvidos aliviando as chagas originárias de meus erros e de minhas discórdias.

É o sorriso bondoso que lava o meu rosto alterado.
É o rosto carinhoso que vislumbrei pela primeira vez quando abri os olhos para o mundo e para vida.

Planeta Terra


Linhas douradas riscam o tapete azul anil. Assim desmanchando a pintura das nuvens, caem tocando, mergulhando quais seres celestiais por entre as copas verdes das arvores...

Pássaros como o colibri bebe os néctares das carolas perdidas nas redes de pétalas macias e cheirosas.

Ó estrelas do céu! A imensidão mágica de seus sorrisos se espelha nos quadros da Terra! Encantam em poemas tão eternos, em lembranças e fatos marcados por suas presenças.

O mar debruça devagarzinho numa ida e vinda que se perpetua com os cantares das ondas. Estas abraçam as pedras, dançam com o vento. Sopram cantigas ao encontrarem os recifes.

O céu se escurece... É mais um dia. Lá vem o horizonte perdido na vastidão de pequenas árvores de troncos torcidos. Um vermelho se derrama pelas cortinas de nuvens que se formam e que se encontram com os primeiros morcegos. A noite chega.

As pessoas correm, os pássaros voam, os cachorros latem e se coçam... A lua, o sol. A chuva e o azul cristalino do céu. É à noite, o dia e a madrugada.

As estações passam como uma pena voa numa tempestade. Os anos se transcendem no movimento que se interage com suas percepções e conceitos. A lua volta, os pássaros morrem, mas haverá outros para embalar a manhã... Há a beleza tão suave das imagens de um dia de verão que se renovará a cada ano. Você verá? Verá os raios se transformarem em seres imaginários que salpicam o horizonte, iluminam o musgo?

As chuvas caem para fazer da terra um útero que gera vida, para revigorar a beleza das árvores e flores... Para dar um sentido, uma direção para vida que se transforma, que se repete, que se alumia diante das causas. Você vê a chuva cair? Não é tão refrescante ver as gotinhas molharem os vidros das janelas e molhar as folhas do jardim?

Como é olhar para o mundo sem ter a certeza de que tudo muda? Por que corremos tanto? A Terra gira e seus ciclos se renovam a cada dia. Tudo se transforma: A matéria, a natureza. Nenhum pôr ou nascer do sol será o mesmo, pois cada dia Deus pinta um quadro mais belo. Seja ele entre as tempestades, entre os pântanos e penhascos.

Assim como o tempo passa a dor que está em seu peito passará, pois que Tudo na Terra é passageiro, gira em torno de idéias, de imagens. As estações mudarão dentro de ti quando os primeiros raios fazerem o seu nascer, depois da morte de seus medos e fracassos. Movimente-se! Viva! Permita-se fazer parte do ciclo mais importante – As suas necessidades, razoes e verdades se movimentando, se transformando!


Camilla da Silva Ribeiro.