sábado, 3 de dezembro de 2011

Desmoronando...




Meu teto
Minha vida
Morrendo nos escombros
Não há mais chance ao que se atina...
A dor pesando sobre os ombros



Sufocando...
Desmoronando
Meus planos
Mundo inteiro de Enganos
Acabando-se no pó do real insano!



Chorar
Desmoronar
Minha vida enroscada em grilhões
Enforcada em decepções
Vagando pelas inexpressivas multidões



Como tudo pôde cair tão rápido!
Tão sozinha, vivendo no nada
O mundo num dia te acha válido
E no outro você é uma coisa descartada!



Lágrimas apenas são salgadas ao próprio paladar
Aos que te olhão é apenas um riacho desnecessário
Um vale escondido, cenas hilárias, motivos para esmagar!
Ruínas são destroços do abandonado e solitário!
E não daqueles que ao seu coração irá rematar!




Estou desmoronando...
Asfixiando
Soterrando
Na minha própria dor
Sem encontrar uma saída
Num túnel sem luz e vida
Estou ao mundo tão bonita
Por dentro tão perdida...
No meu fundo opaco, amargurado e sem cor.






Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Preciso...





Preciso pensar em mim
Saber que na vida pra tudo tem um fim
Abandonar a arte de me afogar no infinito do seu mar
Deixar
Calar
Soterrar
A magia inexorável de amar...






Preciso estar mais uma vez aqui
Com os pés bem cravados no chão
Viver uma fantasia é abrir asas para Ilusão
Afundar nos devaneios da paixão
Para por fim, se perder no vale perdido da solidão...






Preciso aprender a secar as lágrimas
Tomar a liberdade como minha verdade
Tirar o fascínio, virar todas as páginas
Dói no peito a faca cravada da saudade!






Preciso... Preciso esquecer como é bom te amar
De como é sentir seu corpo junto a mim
A candura efervecente de seu olhar
Magia, fogos, sonhos de marfim!






Mas por mais que eu tente esquecer
É como apagar as lembranças de meu próprio alvorecer
É negar um parte, um complemento de meu ser
Deixar-te, meu bem, é negar
Arrancar
Matar
A verdade mais linda de meu viver!






Preciso aceitar que tudo já acabou
Que nos sobraram recordações
Baladas suaves do passado
A mágia silenciada das batidas de nossos corações...
Restos de nossa vida misturados aos requíscios das emoções.






Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Milagres







Se dos olhos nascem doloridas imagens
Se do pranto calado nasce o Grito
Se da bússula do engano cria miragens
Perde-se o ar, a voz e o tino...






Se dos beijos criou-se os tapas
Se das recordações tantas feridas
Se do tempo vazio a última etapa.
Perdeu-se a orientação para chegar na medida...






Se meu peito arfou de dor meu próprio engano
Se aos ventos dei o meu amor
Se a rosa dos sonhos matei como profano
Ao passado deixei as lembranças de todo o esplendor!






Se a Deus reservamos à todos os Milagres
Se pedimos aos passos o Louvor
Peço aos céus que me entregue as verdades
Os ensinamentos que o Senhor nos ensinou!






Quero o sorriso perdido
Silêncio ao escandoloso Grito
Ao peito respirar tranquilo...
Da rosa transformada em erva daninha
Girassóis a procura da luz no infinito






Creia em seus próprios milagres
Dê aos seus olhos outras imagens
Se do medo gerar dúvidas
Se dos caminhos surgir pedras
Lembra-se que Deus te ampara na Queda
A tudo na vida há uma hora certa
Dê a ti o seu rumo, sua bússola, sua esfera!





Poema escrito para todos aqueles que sofrem





Camilla da Silva Ribeiro

quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Se você pensa...




Se você pensa que me manda
Que sou apenas mulher na cama
Fique longe de mim...
Não me diga mais Nada... Nada!
Dê a tudo um fim!



Se você pensa que de tudo esquecerei
Que com beijos ou prazer farei de você meu rei
Equivocou-se, meu bem!
Sou dona de meu destino
Aos que ficam me dedico, aos que vão Amém!



Se você pensa que palavras vão me comprar
Que com promessas sem fundamento vai me domar
Ah... Ah... Então não me conhece!
Dê à Deus apenas uma prece
Para te salvar do inferno que merece!



Se você pensa que sou mais uma puta
Que desconheço sua falsa conduta
Aconselho-te à ir a luta
Não sou flor à ser cheirada
Para depois ser arrancada e pisada
Dou valor aos que me querem bem!



Se você pensa...
Pensa tudo e não chega a nada
Construindo castelos como ilusória morada
Escute a minha voz sussurando Adeus
Desmoronando os tijolos dessa loucura
Soterrando-te sob os escombros, sem a luz dos olhos meus!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

O Trem




Chegou o último trem, o relógio marcava onze da noite. Escutava-se o murmúrio de pessoas se deslocando de um vagão ao outro. Eram uníssonos dispersos e misturados aos passos, sons da vida... Eu estava entre eles, produzindo o mesmo ar e correndo com a mesma pressa. Chovia frias gotas sobre os trilhos, tão cansadas e finas que se tornavam imperceptíveis aos olhos.




O trem se movimentou, escutava o martelar de suas rodas no ferro e sentia o cheiro de querose se queimando... A velocidade ia aumentando deixando para trás as casinhas do suburbios, árvores e ruelas sem nome; meus cabelos volitavam por cima de minhas espáduas e os longos fios conheciam a atmosfera ao saírem pela janela. Pensava enquanto meus olhos se fechavam tomados de um torpor, de cansaço. Era mais um dia a ser esvair, mais um breve e silencioso instante movido pelo tempo que morria com a chegada dos fatos. E eu morro.... Morro a cada sopro de vida, enquanto o peso dos segundos se transformam em minutos, horas, dias... Décadas.

O trem estava chegando em seu destino. Avistava lugares conhecidos, paisagens por onde meus pés pisaram... Conhecia aquele montículo ilmuninado por postes de luz fosca e as mesmas construções a fazerem parte de minha história no passado e no presente. Podemos dizer, nostalgico... Lembro ainda do parquinho e das brincadeiras na gangorra e como tocaria com os pés no céu cheio de estrelas ao voar com o gingado do balanço... Lembro do mesmo portão e de como meu corpo se encostava junto ao seu. Eram inumeras palavras de amor, promessas tão curtas quanto uma viagem para o céu. Ainda consigo ouvir o estalo de seus lábios em meu ouvido, sua voz ao penetrar languidamente minha alma... O trem se vai... Vai.. Vai... Parece correr enquanto o meu coração bate e o tempo se esvaí... Morro a cada lembrança esquecida, a cada passagem, trecho, parque, sonhos perdidos... Morro porque sei dos segundos produzidos pelo piscar de meus olhos, do simples construir das linhas de meu rosto. Tenho consciencia que a vida é qual um trem ao chegar em se destino. Antes disso, vivemos, amamos e sofremos. Percorremos as mesmas estradas, conhecemos os mesmos caminhos e lembramos de muitos fatos.

Camilla da Silva Ribeiro

Trecho do livro " O Reio do Lixo"


Olá Pessoal!

Estou colocando um pequeno trecho do meu livro. Faz parte da introdução. Como achei bem poético, resolvi colocá-lo. É uma carta deixada por uma personagem.

Quando estiver com a Introdução já feita, aviso, para que desfrutem de mais pedacinho de meus sonhos.

Braços!!

" A chuva cai. Sua musica é uma ópera, uma ópera de assobios ao açoitar as vidraças da janela. Eu vejo cada gota cair, escurecendo os montes outrora verdejantes. Elas tornanam o céu um manto recheado de nuvens negras, qual um buraco invisível, uma esfera morta.
A chuva cai. Ela grita enloquecida assustanto os pássaros noturnos. Vibra as paredes de minha casa ao formar um dueto com os trovões enquanto elétricos raios bailam... Vejo ao longe, de meu quarto, o penhasco iluminado pela tempestade, e sei que por trás dos rochedos existe um vazio a esconder os riachos da planíce ao leste.
A chuva cai. Possui um cheiro refrescante e ao mesmo tempo asfixiantemente lágrime... São as lágrimas de todos que partiram ao se juntar num só momento. Eu choro juntando meu lamento aos deles... Pois eles se foram quais notas perdidas de uma canção, como uma pena leve e branca voando na imensidão dos ventos... Dos ventos que sopram das montanhas infinitas do além.
Escrevo enquanto a tempestade de minha alma reverbeava por entre as paredes de mim. Então, a chuva cai... Cai... Cai... Despeço-me de todos, mas não daqueles que ainda respiram o ar da vida, mas sim o ar da morte, pois apenas quero fechar meus olhos e não enxergar e sentir a dor da perda.

Camilla da Silva Ribeiro

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Imagens


Olho para céu e em vão procuro ver o seu fim.... As gaivotas voam tão longe. Acenam... Acenam...Transpassam as montanhas douradas pelos raios sublimes da manhã!
A nevoa se espaça delineando, num vapor frio, as arvores e a terra como se fossem véus de ilusão... Uma imagem escondida.... Uma vida feita de mentira.

Clareia céu tumultuado pela escuridão da noite! Clareia os lençóis negros que cobrem, a superfície. Olho para o liso tapete sem estrelas e lua procurando achar a verdade, a minha verdade. Por que só escuto o chorar angustiado dos morcegos, o reclamar histérico das corujas quando poderia ressurgir das cinzas as flores de um dia claro!

Olho em vão o fim de tudo, o mistério de mim... Passeio numa floresta onde as copas das arvores escondem o fascínio de um céu azul. Ando admirando os trocos grossos, as folhagens sobre os chãos de terra avermelhada. Quanto mais ando não sei onde vou chegar... Parece que andei por horas. Eu choro de medo junto aos sons dos animais. Eu corro. Eu quero chegar! Não consigo... Não... Eu tropeço, mas logo levanto e nunca me disperso. Continuando indo nesse mesmo ritmo, reto e rápido. Percebo que tenho que esperar, ir devagar, para não cair e chegar lá. Assim mudo de ritmo.

As rosas nunca foram tão perfeitas. Era um jardim só de rosas. O vermelho se confundia numa extensão imensa onde o cheiro penetrava docemente pelas minhas narinas e se expandia dentro de mim. E os pássaros dançavam em valsa com o vento que sussurrava beijando os meus cabelos. Agora eu não corro, eu rodopio sobre os olhos azuis do céu. Agora eu já pintei a minha imagem verdadeira e a minha felicidade no papel da vida...

Beija-flor


O beija-flor que beijou
A carola perdida da flor
Sugando todo o calor
O amor perfumado em cor

O beija-flor a cantar
A piá... A piá
Seu coração a pulsar
No bailado de suas asas a girar

O beija-flor a toda seiva devorou
Ofegou... Ofegou...
Mergulhou... Mergulhou..
Nos céus profundos e sem fim
Gozou... Gozou

O beija-flor sem medo está
Destino Lágrime não queirerá
Sentindo a vida em seu coração
Em cada vôo uma emoção!

Escrevo


Escrevo letras emergidas de sinfonia
Advindas de todas as alegrias
Os fatos vividos de cada ser
Surgindo das esperanças
De loucuras ou de lembranças
A história do amanhecer!

Escrevo para afastar o cálice da dor
Bebido em taça de ouro escarlate
Na rotina e nessa insana realidade
Mascarados em rostos e escondidos em futilidades
De um mundo carente de amor!

Escrevo para esquecer
Viajar além das estrelas
Encontrar em sonhos minha maior esfera
Desenhar em quadros límpos a aquarela
Formada por rimas, versos e prazer!

Escrevos para afastar todos os males
A agonia de minhas próprias saudades
Constituídas por todas as imagens
De minha história e verdades
Existentes na sela de meu ser!

Escrevo... Escrevo apenas por mim
Por minha egoísta necessidade
Para abandonar meus fantasmas à margem
Dando a vida a luz e a esperança o renascer.

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Saudades


Sinto saudades, mais de mim do que propriamente de você. Já está mtão entranhado em mim, tão marcado e eternizado em meu corpo e em minha alma, que não sei quem eu sou se não está mais ao meu lado:

Tenho saudades de ser uma pena a voar
Deslizando a conhecer o mundo, a te trilhar
Serei uma vela estirando a haste a uma direção sem destino
Vagando sem meu porto, sem meu abrigo
Vivendo, seguindo sem um sentido
Por um caminho turvo, que não sei para onde me levará!

Tenho saudades de sentir meu coraçao bater
Nossos corpos suados e unidos iluninados pelo sol, antes do anoitecer
Da sua voz me reservando palavras de mel
Era tudo tão perfeito quanto estar me perdendo no céu!
Serei então, uma lágrima invisivel a deslizar pelas sombras da noite
A evaporar no silêncio da madrugada...
Para morrer para sempre nas sombras da inexisncia durante o dia!

Tenho saudades da pétula macia e perfumada do amor
A alisar minha vida com sua beleza e sua cor.
Das rápidas demonstrações de me querer bem
De me fazer sentirque nossos momentos eram mais que passagens e sonhos além...
Serei então...
Uma fortaleza dura e implacável a conserva minha paz.
Pois nada de você eu tenho mais
Do que lembranças, sonhos e esperaças perdidas.

Camilla da Silva Ribeiro

Saudade

Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas o amado já...

Saudade é amar um passado que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudades,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.
Pablo Neruda

Verdade


Quando muito as coisas se repentem, pare e pense o porque isso acontece. Penetre bem fundo em seu mundo, desvende as paisagens que existem por trás das muralhas de seus medos. Pule, mesmo se for muito alto ou se machuque. Às vezes a verdade pode parecer dolorida e vir acompanhada por uma paisagem onde há pantanos lodosos, céus enegrecidos de corvos uivantes... Mas se caminhares mais, muito mais além dos precipícios encontrará o outro lado da floresta... Estará te esperando um richo de águas límpidas e potáveis para acalmar sua sede, o cheiro leve e refrescante das flores a penetrar em seus pulmões, aliviando o asfixiamento ocasionado pela dor...A verdade machuca e dói, para muitos se torna um choque, para outros um alívio reconfortante, mas no final sempre é uma dor necessária.
Pedirei a verdade em um cálice de remédio amargo, curando minhas doenças morais e dando ao meu espírito uma essencia saudável. Ela virá primeiramente vestida numa túnica remendada e maltrapilha, inicialmente me causando nojo e rejeição... Mas esticarei minhas mãos tocando-a e puxando junto a mim no anseio apenas de ajudar e por comiseração... Olharei bem por dentro de seus olhos e enxergarei nela minha própria imagem a defenir os contornos profundos de meu ser. Então, se iniciará um processo de troca. Sim de troca! Aquela roupa encardida que tando me causava medo, será trocada por um vestindo carmim e limpo.
No final, sempre a verdade prevalece. Não há como fugir. Mentir pra si mesmo ou simplesmente fechar os olhos. Sem ela, não sabemos quem somos, como mudamos traços negativos de nossa personalidade. Vivemos em redes incalculáveis e sem fim de fatos e voltamos ao mesmo destino: a de sofrer.

segunda-feira, 25 de julho de 2011

Selinho


Olá!

É com grande alegria que conto aos meus queridos amigos que seguem meu blog, que eu ganhei meu primeiro selinho! rs... To parecendo uma criança de tão feliz!

Olha, ainda estava desinformada sobre os selinhos (como pode né!), descobri como é através de Stacy (http://s-umavidapararecordar.blogspot.com). Adorei o carinho, pois meu blog ainda é pequenino, não muito conhecido. E toda ajuda é de grande valia.Obrigada!

Segue abaixo alguns blogs que acho muitos legais, leves, encantadores:

1. Fabricante de Sonhos - http://millaborges.blogspot.com

2. Poesia Inerente - http://poesiainerente.blogspot.com

3. Horizonte Hostil - http://horizontehostil.blogspot.com/

4. Uma rosa é apenas uma rosa... Mas a minha Rosa é única - http://dreamsofar.blogspot.com

5. Tudo que preciso - http://lovesongone.blogspot.com


Abraços!

domingo, 24 de julho de 2011

Ausência





O vento me soprou frases, a sinfonia refrescante da chuva. As árvores balançavam alisando o ar, bailando enquanto as ondas beijavam os recifes nos recantos da praia. Eu conseguia enxergar além dessas janelas grandes e opacas, uma bruxuleante e trêmida luz gerada por um farol perdido no horizonte engrecido do mar.
Apesar do manto negro da noite estirar seu lençol azul marinho sem estrelas sobre a superfície da terra, ainda havia uma pálida lua a se esgueirar por trás de monticulos. Escondia-se dos meus olhos sagazes e de minha observação, até morrer para sempre atrás das formações rochosas.
Havia um sussurar, um sopro ou quase uma melodia ressoando das cordas vocais de um pássaro noturno. Não podia vê-lo, mas suas asas se debatiam em alguma árvore e suas penas rossavam nas folhas até gerar uma estranha música em meio ao silêncio.
Esperava-o chegar, decifrar sua silhueta na escuridão, visualizar a sombra de seu ser no chão, a emergir dos portões. Não chegava e minha companhia era apenas as gotas da chuva a se debaterem languidamente sobre os telhados da casa.
Sentia o calor do fogo crepitando da lareira enquanto que sua luminosidade se estendia pelo quarto, a iluminar nossa cama parcialmente desarrumada, a mesa que ainda abrigava seus papéis recém escritos. Mas você não chegava, mas uma vez não vinha... Estava tão longe daqui... E eu olhava... Olhava, com frio. Um frio a sair de mim.
Lágrimas deslizavam por minha face levemente, tocando meus lábios. Morriam ao escorrer pelo meu pescoço e encontrar o vazio da atmosfera. Na mente lembraças dos tempos felizes emergiam das raias de minha consciencia, voltando sobre meus olhos, revivendo com força sobre meus pensamentos e fazendo explodir sobre meu peito mais uma vez nosso amor... Minhas mãos espalmaram sobre o vidro da janela e de meus dedos um suor marcou os contornos. Fechei os olhos e o pude ver mais uma vez... Mais aos abri-los, lá estava a chuva a denegrir a amplitude da paisagem... Trazendo-me a certeza que não estará nunca mais aqui! Tudo estava vazio, sem nada.
Estou mais uma vez sozinha esperando por algo que nunca chegará. Você se perdeu de mim, seus passos nunca mais marcaram o assoalho de minha casa, sua voz será apenas o grito de um pássaro perdido em uma tempestade, seus olhos serão um farol no vácuo sobre o olhar de um mar escurecido por uma noite sem estrelas...
Sou uma gota, uma gota de chuva... Sem você, apenas me debaterei sobre um telhado a sentir o impacto de sua ausência e jazerei para sempre a mergulhar nas sombras da inexistência...
Fechei as cortinas. Você nunca mais estará aqui. Não há como mais esperar...


Camilla da Silva Ribeiro

Respeite os direitos autorais

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Espelhos da Alma (Retratos de Uma Loucura)




Talvez fosse tarde demais para lamentações inoportunas. Caminhou mais alem e a luz verde intensificava, explodia em seus olhos e tocava sua pele. Parecia que esta luz penetrava pelos seus poros e incendiava sua corrente sanguínea. Da onde viria? Da sala de estar onde Mary costumava tomar seus famosos drinques? Ou do Porão onde Mary costumava pintar seus quadros? Chegou até a copa e caminhou calmamente até a porta do porão. Era lá que eclodiam os raios verdes que transformaram a casa em um turbilhão de imagens sinistras; sombras que se agrupavam nas paredes. Giovane, transtornado, caminha e observa os detalhes. Para e tremendo diz:

-- Quem está ai?
Giovane percorre o ambiente, passa por cadeiras, topa em artigos velhos e quadros mofados pela falta de luz solar. Seus olhos ardiam, sua boca queimava. Aquela luz maldita deixara um gosto amargo em sua língua, depois de beijar seus lábios. Percebeu a luz saia de um espelho. E vencendo o próprio terror, aproximou-se. A luz verde venceu seu corpo, banhou a sua face. Um sussurro brotou do nada e suas mãos tocaram o vidro enquanto sua imagem se espelhava. O sussurro não era audível, era baixo e devagar.

--Quem está ai? Quem está no espelho? Perguntou Giovane. Percebeu que o vidro se transformara na estrutura de uma gelatina, e espontaneamente voltou-se para trás. Repita! Quem está dentro do espelho! Saia e mostre-me quem é!

--Não posso... Estou presa...

Aquela voz não lhe era estranha. Era a mesma voz de... Era Mary! Voutou-se correndo para o espelho. Mary, sua filha que havia sumido repentinamente aos dezoito anos de idade. Muitos especialistas no assunto disseram que provavelmente ela teria se envolvido com drogas e fugido para algum lugar de hippys.

--Minha filha! Quanto tempo! Mas quanto tempo! Deixou que se braço penetrasse e sentiu que aquela luz o conduzia para mais alem. Sentiu seu braço dormente e seu corpo era sugado lentamente até o espelho. Vou salvá-la!

--Não pai! Não tem como me salvar, pois fui aprisionada pelo espírito de uma antiga moradora dessa casa, que se suicidou após ver sua imagem no espelho. Ela teria sofrido um acidente e perdido toda sua beleza... Agora a maldição só será quebrada se uma alma bondosa tirar sua vida e me resgatar em forma de espírito. Só um espírito pode retirar a maldição de outro. Se entrar agora, ficará comigo eternamente preso.

De repente a imagem de Mary apareceu de dentro do espelho, e sua imagem não se refletia mais. Sentiu as mãos doces de sua pequena. Queria dar a sua vida para ela, já que a morte seria o preço do resgate. Largou a mão de Mary e se impulsionou para trás a procura de algo para finalizar aquele martírio. Correu desesperado pelo porão, tropeçando, com as lágrimas a banharem o seu rosto. Aflito, gemeu, gritou, se amaldiçoou. Encontrou na bagunça do porão uma espátula. Segurando-a, a enterra de encontro ao peito olhando os cabelos esvoaçantes de Mary. Enquanto seu espírito devagar vai saindo do corpo, o espírito de Mary vai saindo do espelho. Quando Giovane percebe esta sendo levando para dentro do espelho. Entrara e percebeu que se espírito estava aprisionado e que Mary se transformara em uma mulher totalmente diferente. Não era ela, e sim uma senhora com a parte esquerda do rosto toda desfigurada e em carne viva.

--Não é Mary! Quem é você? Diga-me!

A resposta foi uma estranha gargalhada...

Giovane acorda num quarto de hospital. Ao seu lado está um a linda mocinha. Ele a percebe entre sua consciência e inconsciência, pois está dopado. Sempre a percebe lá, mesmo depois dos pesadelos constantes. Ela sempre e sempre se encontra como a meta principal, mas todos dizem que ela não existe... Que é um fruto de sua esquizofrenia. Os dois conversam sempre, e ela para ele é como uma filha querida. Hoje, depois desse estranho pesadelo ele se levanta com braços envolvidos com a camisa de força e caminha ao lado de sua companheira e se chega suavemente até a janela e com ela brinca de voar...

A Profanada


Eu era sua mulher, seu objeto, sua dor
Meu corpo era seu, convulsionado de ardor

Eu era a sua mulher, sua empáfia calada
Sua vergonha dissimulada
Eu era sua... sua...
Sua meretriz muito pouco vivida
Sua vadia e ovelha perdida.
Perdida
Perdida...
Nas raias profundas e esquecidas do amor...

Eu era a sua melhor mulher utilizada
A que pedia para ser usada
Pisada
Chutada
Abandonada...
Em troca depois de poucos momentos de amor.


Eu era a sua mulher, a que chorava quando não sabia
A única cujo coração te daria
No final de cada ato de prazer
Não se há culpa quando a voz se calou
A imagem dos sonhos se apagou
Sem ao menos ascender nas glorias do amanhecer.

Eu hoje já não sou sua
Meu lugar de mulher objeto já foi tomado
Por uma otária de nome não identificado
Que tenta te dar aquilo que nunca em troca irá ter.
Amor.
Pois seu coração é um riacho seco e sem vida
Drenado apenas pela lama de sua pérfida
E sugado pelas ações dissimuladas.

Camilla da Silva Ribeiro

Respeite os direitos do artista.

sábado, 9 de julho de 2011

Um recado para mim


1. Preciso trocar as fechaduras que abrem as portas de minha alma, pois estas estam imperrando e provocando estrondos exteriores;

2. Não esquecer de remendar as vestes das aparencias, pois estas já estão gastas e logo se deteriorarão mostrando a nudez de meus pensamentos;

3. Não esquecer de fechar as janelas da ala do coração. Afinal, qualquer estranho sem permissão pode entrar e roubar meus batimentos, meu ar, minha razão. Já aconteceu isso uma vez, e pode crer, o prejuízo foi incalculavel.

4. Não deixar de colocar os sonhos no vaso, enfrente a janela das idéias, para tomar o solzinho da esperança à toda manhã. Afinal, as rosas da minha vida não podem morrer sem que ao menos eu tente fazê-las florescer no esplendor da próxima primavera.

5. Pagar por verdades e receber como troco mentiras. Então, é melhor economizar por um longo período no amor demasiado que ofereci, na ilusão camuflada de ouros que necessitei, na carencia da solidão que escondi por falsas esmolas, que de tão baratas e superfulas me saíram por um alto preço no final... Pode ser que no final de tudo, me falte algo, não consiga completar o vazio de significado de mim mesma, então é melhor me abastecer com o pouca, mas verdadeira riqueza da minha essencia interior ... É hora de economizar!!!!

6. Não deixe de abastecer os ármarios das virtudes morais com serenidade, compreensão e benevolência. Há sempre momentos onde precisarei da leveza da serenidade para contornar os temperos do ódio e rancor de meu semelhante, o fosforo da compreensão para derreter o gelo da ingratidão de filhos, familiares, amores e o sal da benevolência para dar gosto e vida para aqueles que passarem pelas mesmas estradas e caminhos que eu.

7. Enfim, não deixe nunca de ser você, apesar do que o mundo te diz, apesar do que as pessoas fazem ou apontam... O recado já foi dado, está na sua consciencia. Você sabe muito bem o que deve ser feito, está na vida, nos passos do agora, no presente, no futuro... Agora vá, abra as portas da rua, comece mais um dia... Mas antes de pisar nessa Terra de Niguém, nessas ruelas e postes sem rostos... Lembre-se que dentro de você há alguém e ao seu lado existem pessoas e com elas a mesma necessidade, a de um final feliz.

Camilla da Silva Ribeiro

domingo, 12 de junho de 2011

Fugindo



Fugir daqui
Dos Pesadelos
Da dor
Do caso sem saída
Da causa perdida.

Fugir
Da areia que me impulsiona
Para baixo
De todo seu rastro
Da Escuridão, das ilusões do alvorecer!

Fugir
De mim
Ir para bem longe
Me perder num horizonte
Me esconder

Fugir... Fugir... Fugir
De você
Do mundo só me sobraram os restos
Os cacos invisíveis do meu ser
Quebrados e pisados ao voarem com o vento
Para o infinito, onde não há vestígios do pó
Dessa amarga decepção.

Camilla da Silva Ribeiro

sábado, 14 de maio de 2011

Identidade


Estou no momento sem minhas digitais, uma perca da identidade emocional. Essas linhas finas que compõe as pontas dos dedos se desintegraram lentamente... Olho para minhas mãos e não sei o que fazer com elas. Não sei se prefiro escondê-las, infiltrando-as por dentro das vestes de minha alma ou se mostro-as correndo o risco de ferí-las diante das dores que compõe essa realidade.

Camilla da Silva Ribeiro

terça-feira, 10 de maio de 2011

A Espera


A Espera.

O dia sorriu com os raios quentes que abraçaram minha pele... Com o fundo de luz que brotava de seus olhos.
O pássaro cantou rodopiando o céu anil e espreguiçou-se nas árvores... É assim sua chegada numa orquestra musicada pelas suas gargalhadas.
A rosa vermelha brotou no verde do campo enfeitiçando com o cheiro leve, amando os lírios... Sua presença é uma fada que da varinha de condão conquistou meu coração, um espetáculo de beleza transformada na pureza de uma estranha forma de amar.

Suas conversas são lembranças que nem as desesperanças podem de minha vida apagar.
Nossos planos são sementes que no solo só faltam ser jogadas para que nasça uma flor... Só falta nos reencontrar.
Minha vida é uma miragem, um oásis enfeitiçado de ilusão...
Um passo em falso dado pelo destino e uma espera sem razão.

Camilla da Silva Ribeiro.

A Chuva e a Noite



A Chuva e a Noite


Salpicam gotas na relva verde
Molhando a mata, sinfonia das almas
Lavando a terra e levando sementes
Depois da morte do sol Poente.

As nuvens se entregam em fascínio cinza
Enegrecendo imagens, outrora límpidas
Que jorram em lágrimas sentidas
É Chuva a cair nos arabescos das esquinas.

Sombras refletem no asfalto
Miragens dos postes de luz bruxuleante
A desenhar a silhuenta do ser errante
Silencioso, no oculto semblante.

Chuva orquestra seus lamentos nas janelas
Fazendo crescer sua voz na essencia da Noite
Que de dor sangra nas revoltas dos Ventos
Histeria no concreto dos telhados.

Por isso, eu falo das noites de chuva
Nos dá a sensação de incognitos, distantes
Ilhados no Refugio das casas
A escutar a dor dos trovões e a enxergar a solidão
Por entre janelas, cercados de telhados
Quase que perdidos e abandonados...
Tão distantes... Distantes do mundo, em meio a làgrimas e à escuridão.

Camilla da Silva Ribeiro

sábado, 7 de maio de 2011

Você já me fez chorar muito.


Chorei muito por não querer dizer Adeus
Tentando esperar mais do que Indiferença
Levando no peito a crença
De ter o amor seu.
Mas como na vida tudo sem retorno acaba
Minha esperança morreu
Na minha alma ficaram as lembranças
Um passado que ficou para trás,
E que já não enxergo como se fosse o meu.

Chorei muito tentando compreender seu íntimo
Esquecendo de minha vida enxergar
Qual um barco sem rumo
Esperando por você para ancorar
Mas como muito sacrifício machuca
Não te quero mais
Leva sua vida para outro porto
Onde se sinta seguro, aonde não me machuque
Com seu amor mentiroso e incapaz.

Chorei muito tentando te achar
Sem mesmo tentar me procurar!
Fazendo do seus os meus dias
Da sua vida a minha.
Estúpida sou eu
Que nem uma parcela de seu ser tive garantia.
Mas quem pouco dá não espera a nada receber
Não terá mais meus sorrisos
O meus beijos
A minha essência cristalina em flor
E quando percerber que a tudo isso vai perder
Ai de você! Vai se arrenpender do seu pouco caso com meu amor
Vai me querer e na agonia da solidão ficará
Sem meu corpo quente e amigo para te aconhegar
E só a noite fria e silênciosa sua face vai beijar.

Chorei, chorei muito
Mas agora me cansei.
Estou partindo
Sem dizer Adeus
Pois este já foi dado
A um coração Pisado
Humilhado
Esfaqueado
Estou me indo
O deixando só
Sem saber que o está...

Camilla da Silva Ribeiro.

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Terceira Pessoa do Singular



Ele seguiu rastros de estrelas
Procurou o fim do arco-iris
Para saber que nada tem fim
Bebeu da seiva brilhante das matas
Tomou banho em águas geladas
Para encontrar uma profundeza abstrata
O sentido que há em si!
Nas miragens do nada
Pisou em terras abandonadas
De verdades não enxergadas, vias mal iluminadas!


Ele Proferiu juramentos
Fez de atos mediocres sacramentos
Para que um dia as promessas virassem excrementos!
Saciou-se das alegrias mundanas
Cheirando ópio amargo da ilusão
Vivendo incognito nas redes da escuridão!
Mas mesmo assim, tentou achar a trilha para o mar
Encontrando apenas as águas entorpecentes do vazio
E esmorecendo em correntes de frio.

Ele buscou a felicidade
Em lugares, por tado parte
Buscou controlar a solidão
Matar o sem sentido deserto de seu coração
O tédio que escravizava e o levava para outra direção!
Tentou enxugar as lágrimas pulando de penhascos
Mentindo, culpando, aos seus abandonando
Mas olha só! Ele só queria ver o mar!
Será muito conseguir aprender a amar(pergunta)

Ele chorou e chorou
Perdeu a chave que abre as portas
Fez de sonhos de paz revoltas
Para encontrar apenas desespero em sua volta
Mas Meu Deus! Ele apenas queria Vencer!
Não pretendia nas buscas da vida esmorecer
Nem procurar em vícios pérfidos o prazer
Ele só precisa te conhecer
Agarra-se a ti e adormecer
Num embalo doce de glórias
Redenções.

Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Despeço-me



Despeço-me das lembranças
Estão sendo levadas junto as folhagens
Para tão Longe daqui
Para continentes distantes
Para fora de mim...

Despeço-me do som da sua voz
Notais sonoras silenciadas pela ausencia
Jogadas em um poço escuro e sem fim
Somente há ecos indecifráveis
Que ecoam para fora de mim...

Despeço-me do brilho do seu olhar
Raios lúridos agora apagados
Levados para a noite
Para Universos perdidos, constelações desconhecidas
Para fora de mim...

Despeço-me com certeza que um dia te dei o horizonte
Que te libertei do que sempre fugiu
Para dar aos teus pés a confiança
De caminharem para aonde sua vontade preferiu
Para fora de mim

Estou agora no fim do tunel
Aonde ficam ancorados os barcos
Ao sentir a eterna dança das ondas
No bailado que se chama vida.


Camilla da Silva Ribeiro
*************************

Ausência

Eu deixarei que morra em mim o desejo
de amar os teus olhos que são doces
Porque nada te poderei dar senão a mágoa
de me veres eternamente exausto
No entanto a tua presença é qualquer coisa
como a luz e a vida

E eu sinto que em meu gesto existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz
Não te quero ter porque
em meu ser está tudo terminado.
Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados

Para que eu possa levar uma gota de orvalho
nesta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.
Eu deixarei ... tu irás e encostarás
a tua face em outra face

Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada
Mas tu não saberás que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite
Porque eu encostei a minha face
na face da noite e ouvi a tua fala amorosa

Porque meus dedos enlaçaram os dedos
da névoa suspensos no espaço
E eu trouxe até mim a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.
Eu ficarei só como os veleiros nos portos silenciosos

Mas eu te possuirei mais que ninguém
porque poderei partir
E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
Serão a tua voz presente, a tua voz ausente,
a tua voz serenizada.

Vinícius de Moraes

Desejo



Segura em minha nuca
Faça-me Arder
Gemer
Querer
Como nunca

Não quero dormir
Mas te Sentir
Possuir
Tudo decidir
No jogo do ir e vir

Minha boca ao te beijar
Irá Tragar o ar
De tesão nossos corpos vão se molhar
As salivas de vinho e amor a se misturar.

Na morte do ato final
Vou dar teu trinfo, teu cansaço
Nos meus braços o último sinal
Dos requícios dos céus azuis após o temporal.

Camilla da Silva Ribeiro

quinta-feira, 14 de abril de 2011

Preciso de Você


Perdi-me nos seus olhos e conheci outros mundos
Esferas celestiais, no seio silencioso do irreal
Desenho do infinito pintado com matizes
Planetas perdidos, tão distantes e passionais.
Deslizei pelas nuvens para tentar chegar a você
Contornei vales, quase cai em penhascos
Usei a ajuda das cordas da paciência
Escalei os muros das defesas
Para encontrar do outro lado o Rio dos Medos.

Está tão difícil chegar sem nenhum arranhão
Sem ferir ou perder uma parte de meu coração.
Nas nuvens eu pisei, se desintegraram e viraram ar
Nos vales escuros me deparei com a cegueira
Nos Penhascos da Paixão fiquei a um passo da desilusão.
Os muros eram tão altos! Quase morri de tanta exaustão!
Nos rios de seu medo me afoguei nas lágrimas da emoção!

Então... O que encontrarei após me debulhar em tanta água?
Preciso acreditar que depois disso, não encontrarei desertos.
Nem obstáculos construídos por seu ego
Preciso da retirada dos barrancos
Estradas sinalizadas e asfalto liso
Preciso encontrar meu destino
Um destino certo: O de seu coração.
Pois estou muito cansada de caminhar,
Sem ter os vestígios de sua acolhida final.
Sem possuir o que sempre busquei: O seu amor.

Camilla da Silva Ribeiro

terça-feira, 5 de abril de 2011

LIVRO A SER INICIADO!!


Boa Noite, meus amigos

Estou entrando em contato para informar que irei criar um novo blog.
Esse blog é diferente, pois não se trata mais de poemas, mas sim de um livro que estou a começar a escrever.
Será minha primeira obra ficcional a ser aberta ao público, algo que será muito difícil para mim, pois dará curso à uma parte muito importante de minha alma... E isso, como novidade, faz com que haja um sentimento de medo...
Então, espero que assim que for criado, agrade à todos!
Espero dividir um pouquinho mais de mim mesma


Obrigada!
Att,
Camilla da Silva Ribeiro

Você consegue me ver agora?


Você vai ler o que vou escrever? Irá absorver as palavras escritas e jorradas de dentro de mim e do meu coração? Consegue então enxergar a dor que delas sai e sugar delas as lágrimas que agora caem dos meus olhos?
Todo amor que um dia te ofereci ainda está aqui, tão intenso como no primeiro dia, quando meus olhos encontraram os seus. Meu mundo foi entregue sem mais, no embalar tão silencioso das suas pestanas e no sorriso despreocupado que desenhou os seus lábios.
Eu reparti muito mais do que o vinho e o pão ou poucas horas de divertimentos. Eu reparti uma parte grande de minha alma. Deixei que adentrasse em minha essência e escutasse a brisa delicada de mim mesma, um solo tão distante, aonde nenhum homem dantes havia pisado. Nunca fui de palavras de amor ou mesmo de deixar que desvendem algo que tão secretamente escondi das pessoas. Mas simplesmente eu deixei você me enxergar por dentro , quando nossos lábios se encontraram, nossas histórias se misturaram assim como nossos corpos e pensamentos... Mas ai me questiono se verdadeiramente alguma vez você me viu.
Agora aqui estou a contemplar a noite chuvosa, as copas das árvores molhadas exalando um cheiro refrescante. Percebo algumas vozes de casas vizinhas, o som das televisões ultrapassando as paredes de meu quarto... Sinais sonoros de gente no mundo. Sinais de existencias a não ser a minha. Então, a certeza da nostalgia que paira sobre minhas sensações se faz presente, como a colossal verdade que sou invisível... Estou me sentindo tão sozinha, algo que não sentia antes de te conhecer, antes de conhecer o que eu achava que era seu amor.
Será que revelar um sentimento ou oferecer uma parte de si mesma deixa ao ser humano tão vazio? Acredito que sim. Pois estar sem você é sentir um deserto a rondar os passos, a incessante luta para ter algo mais, sem nada ter. Ficar sem você é tão dolorido, uma parte muito importante a ser arrancada... Uma parte fundamental para sobrevivencia.
Seus passos caminham por outra direção e seus pés foram os próprios que escolharem as estradas que resolveram seguir. Perguntou-me: Será que agora estando tão longe consegue me ver? Será que a saudade dos momentos ainda perdura nos pensamentos?Essas perguntas não sei como responder, pois que não há como atravessar a rede das suas verdades, entrar nas batidas de seu coração e explorar a intensidade e veracidade de seus sentimentos.
Simplesmente, agora sinto-me transparente como ser humano. Sinto que meus sentimentos não foram relevantes e que a parte que foi dada não teve significancia, pois que foi exterminada de um momento para o outro... Atirada como a uma pedra no mar, espero apenas a força das ondas me levarem de volta a superfície da praia... Submergir das pronfundezas e contemplar mais uma vez a luz do sol. Espero como à todos mais uma chance de ser enxergada.

Camilla da Silva Ribeiro

domingo, 3 de abril de 2011

O Trecho sem sentido


Fechei meus olhos para prender as lágrimas que iriam rolar ...
A dor me dilacerava a alma e sangrava meu coração
Desde então, fraca e muda, não sei para aonde vou. Não sei mais aonde quero e posso estar.
Nas alamedas de meu destino encontrei ilusões em forma de aosis
Sonhos revistidos pela capa falsa de uma coragem vazia e inexistente, que se entitulava a VERDADE.

Camilla da silva Ribeiro

Tempo Escasso




A maior parte do tempo estou sozinha, conversando comigo mesmo através dos pensamentos, interagindo com o som da minha própria voz, camuflada pelo silencio de meu exterior. É algo totalmete estranho, pois que parece que houve um isolamento íntimo, algo imposto por minha própria vida. Às vezes (quase sempre) nem percebo que isso me ocorre, com todas atividades do cotidiano. Vivo de acordo com as necessidades do relógio e corro para estar em dia com minhas responsabilidades.
As pessoas nos quais amo ficaram para trás, perdidas no vácuo de minha casa e escondidas e totalmente enterradas em meu passado. Estou presa em meio a uma camada grossa de vidro, cercada por mim mesma. Pergunto-me: Como tantas pessoas conseguem viver sem poder externar a essencia de si mesma? Ai, respondendo a essa pergunta, e vivenciando tal acontecimento percebo que é muito frequente estarmos solitários no meio de tanta gente e tão vazios de significado. De repente, não temos nada em nós, apenas uma breve necessidade de sobreviver... Precisamos ter títulos notórios para mostrar nossa falsa riqueza interior, ouros nos cofres para demostrar nosso poder perante os mais fracos e nossa inutilidade na arte de amar e por fim, necessitamos de bajuladores dissimulados para mostrar que somos amados... Mas esquecemos que para que tudo isso aconteça devemos acordar toda manhã e vestirmos nossa roupagem feita de aparencias, sorrir quando queremos é chorar, viver sem mesmo saber o porque... Ás vezes penso que sou uma máquina andante, indo à esmo pelas estradas da vida, no meio de tantas pessoas cujos objetivos são iguais aos meus: Apenas de estar vivo e continuar mais um dia. Seja esse estudando ou trabalhando. Correndo, sem tempo de pensar no que verdadeiramente é para ser pensado.
O tempo é escasso. Cada dia que passa é um virar dos ponteiros do relógio e é uma última oportunidade de enxergarmos as pessoas que estão ao seu lado. Já disse ao seu marido que o ama hoje? Ou antes mesmo de abrir os olhos pela manhã já correu porque o onibus das sete irá passar em cinco minutos?... Frases de amor levam apenas alguns segundos para serem ditas, mas perduram por toda eterniadade nos ouvidos de quem as ouve. Abraçar seu filho, contar uma passagem engraçada para seus verdadeiros amigos. Oh, momentos tão lindos! Quando vamos aprender a ter tempo para a vida ?
Escrevo esse texto, olhando às horas . Penso que amanhã bem cedo tenho que trabalhar. Mas eu preciso e eu quero amar. Amar as palavras que saiam de mim, que voam em sinfonias no batucar de meu teclado. É a única coisa que nesse momento eu posso dar, pois depois... Depois não vou ter tempo... Não terei tempo de te contar.


Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 28 de março de 2011

As Estações do Amor



O deslizar de uma pena, ondulações tão leves
As pétalas que se desprendem das carolas das flores
Acareciam o manto de nuvens em meio aos ares
É qual o ínico sereno e saudável dos amores.

Lembro-me de seus lábios tão doces
Dos seus olhos me entregando seu céu.
Eram sonhos que resplandeciam vida
Como se fossem um bucado de mel.

Raios densos que queimam a carne, que dão prazer
As aragens são maciças, é fogo que começa arder
Quais labaredas que se desprendem das cetelhas do querer
É o meio, a paixão que começou a crescer.

Lembro-me de suas mãos tão cálidas
Dos seus olhos me entregando o teu fel
Eram promessas que resplandeciam dívidas
Come fossem barcos jogados ao sabor do léu.

Folhagens secas caem dos topos das árvores
O vento sopra canções tão secas, sem verdades.
Quais sinfonias iniciadas pelas felonias
É o ensaio para o fim de todas as alegrias.

Lembro-me de seu sussurar ao longe
Dos seus olhos me entregando os teus medos
Eram questões que resplandeciam os defeitos e apelos
Como se fossem o inevitável cáculo do tempo.

A chuva lenta e fria começa a cair
Os ventos batem as janelas, assobiam na direção que querem ir.
Quais os sopros angustiados das acusações.
É o desfecho inevitável para as paixões.

Lembro-me do seu silêncio a me tocar
Dos seus olhos me entregando a dor da solidão
Eram quais navalhas geladas resplancendo sua total ingratidão
É fim! O fim do amor! A chegada da última Estação!

Camilla da Silva Ribeiro

domingo, 27 de março de 2011

Eu Mesma




Estou presa numa rede infindável de linhas. Estou presa dentro de mim, mergulhada no abstrato desejo de minha alma, no incoerente desafeto moral que me sucumbe à paz. Olho com esses olhos pantanosos o meu interior oco e cheio de poeiras onde o eco de meus pensamentos transgride as barreiras do inconsciente num coral de vozes mudas.
E as imagens que se congregam as lembranças turvas de minha memória? E assim em valsa as figuras dançam, no espetáculo do indecifrável, nos desejos que encantam, nas miragens que me alucinam... Deslizo regressando as passagens tão loucas de minha infância onde céu era azul e a tempestade encoberta pelos meus olhos de criança. Chamo-me: Onde estou? E sorrindo vejo que estou perdida dentro de mim e as lágrimas se esfregam cristalinas e deliciosamente salgadas no canto de meus lábios semicerrados.
Estou presa deslizando nas nuvens sem fim, me completando a cada passo, me conhecendo como nunca fiz. Contemplo escolhas sem tolerância, palavras impensadas e atos tão pequenos que fizeram me sentir como se fosse nada. Alisei os colchões do medo encontrando o turbilhão de mentiras inventadas para satisfazer meu ego tão cego quanto as minhas verdades. No intelecto moral degradei-me entre presságios infantis alimentando-me com o egoísmo sedento, amando os conceitos de uma sociedade dilacerada pelo o orgulho e a mesquinhez. Eu perguntava e respondia as perguntas e depois dizia que a vida era apenas uma extensão rasa de insignificância. Revivi minha adolescência e meu sorriso tão despreocupado, dando aos meus pais as discórdias de minha imperativa personalidade. Senti frio no calor de meu lar, vazio quando as primeiras descobertas se fizeram revelar no calor tempestuoso de meu corpo. E a inocência se perdeu dando asas a minha conduta, me chamando para o mundo tão sedento de responsabilidades.
Agora me pergunto: O que sou? E como mudo se agora sou um quarto escuro num clarão que vem ao longe? Chamo-me, grito dentro de mim! O que há dentro de mim?O que há no meu passado que me torna tão infeliz assim? Agora os conflitos de minhas escolhas se espelham nos meus passos tão errados... Vi de lá uma pessoa que fez o que parecia que tinha que ser feito, um ser que independente de seus erros espera um caminho que o leve para uma estrada de flores do campo onde pássaros cantam saudando-o. Vi que meus medos são chuvas que com o conhecimento das causas de minhas dores e aflições serão levadas pelo vento e para dentro de meus pensamentos nascerá um sol que esquentará o coração de esperanças e vitórias. E percebi que apesar de tudo tive momentos tão lindos que me fizeram aguentar as ambiguidades e as vicissitudes... Só nos cabe procurá-los lá no fundo da alma transformando a paisagem negra num espetáculo de luz.
Por Fim aprendi que a infelicidade não existe e sim uma visão destorcida dos valores morais que te levam a buscar a felicidade em lugares, em conceitos e em desejos que são o painel pintado pela ilusão. A felicidade só pode ser um elemento imaginativo de minha pessoa o que nos resta é viver e aprender cada vez mais com os ensinamentos que a rotina, as dores, os desafetos nos dão com clareza e resignação.

Camilla da Silva Ribeiro.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Os Rochedos de Santa Helena




As matas bailavam ao melancólico sussurrar do vento... Vivi décadas antes de minha morte nos rochedos de Santa Helena, em meio aos fortes sinistros.
Lá a manhã é diferente de todas as outras, pois os céus se abriam e raios pontiagudos surgiam iluminando a terra de um vermelho brilhante. Era só eu e o mar com suas ondas enormes que se revoltavam com as areias beges da praia... Possuía um jardim onde tulipas, rosas, miosótis e papoulas nasciam com a chegada do inverno. Eu o cultivava em frente de minha caverna construída de pedras cinzas coladas a um tipo de cimento feito da terra, de cor rosa.
Na verdade, não há muito que contar, pois que lá vivi sozinha toda a minha existência entre os arbustos que definhavam com doenças, entre corvos negros que reclamavam. Lá morri e ainda percorro seus vales ensaiando com os ventos a canção das tempestades...

domingo, 20 de março de 2011

Pensamentos de Vida


Amigos,

Estou abrindo nova atividade de leitura para reflexão. Essas frases são de autores anonimos ou não e dependento até meus.

Obrigada!
Boa Leitura!


"A ausência diminui as paixões medíocres e aumenta as grandes, assim como o vento apaga as velas, mas atiça as fogueiras."

Autor: Anônimo.

Versos ao Senhor,


Senhor,pensei que contornar estradas seria mais fácil
Navegar por entre os mares das Lágrimas não trouxesse dor
Que nas vitórias do dia
Não fosse sucumbir pela falta de amor!

Senhor, pensei que fechar os olhos iria solucionar
As remitências do passado, o rancor!
Pensei que tocar a bela rosa não iria machucar
Ai de mim, que não sabia, que precisava era de te encontrar!

Senhor, quando penso em quantos veles eu já passei
Machucando aos que na vida mais amei
Peço que perdoe o meu ilusório e egoístico Sonhar
Que me levou ao fracasso, a errar!

Senhor, limpe minhas lágrimas rasas
Que tanto deslizam por minha face
Faça de mim seu subterfúgio, sua arte
Para ajudar aos da vida, ser um pouco de sua parte!

Senhor, agora sei que a manhã é verdejante e o céu anil
Que lá em cima tem estrelas que brilham em mil
Sei que agora está aqui, no sorriso de criança
Em todos que acreditam e trazem a sua esperança.

Camilla da Silva Ribeiro

sexta-feira, 11 de março de 2011

Em Mim


Fecho os olhos e abro as janelas da alma
Sinto a brisa soprar meus cabelos.
Estou novamente com os pés no chão.
Mesmo parecendo tão sozinha na multidão.
Não me perdi de mim mesma, não construi cavernas
Para evitar tanta dor e tanta amargura
Meus passos de agora são outros. São passos feitos de candura.

Calo meus lábios e dou liberdade aos pensamentos
São tão suaves quanto o voo dos pássaros
Estou novamente a traçar a linha inexorável do horizonte
Mesmo no silencio absoluto do ser
Pois que dele muitas soluções e verdades podem nascer
Não constri rotas para me desviar da loucura
Ou castelos de promessas para me proteger das persseguições
Meus passos de agora são feitos de realidade, de redenções.

Não escuto palavras que refletem ódio ou rancor
Na esfera na vida o que nos resta é apenas amor
Que reverbea por entre as paredes e miragens da dor
Cantando nos quadros da vida a musica calada do Criador

Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Uma Carta de Amor



Meu Amor,

Não há palavras para definir como meu coração bate agora... Tão suave, como as ondulações das luzes na aurora arboreal. Fecho meus olhos e consigo enxergar além das íris. Consigo assistir nossos momentos em detalhes e viajo nas impressões anteriores. E você está aqui novamente. Sua risada ainda atinge todos sons desse quarto, absorve meus ouvidos. Seus gestos, palavras, beijos. Sinto sua presença viva e ao meu lado.
Eu precisava dizer tantas palavras e mostrar minhas vitórias. Percebo que já não está aqui para escutar a narrativa de meu dia tumultuado ou meus passos tão comuns e monótonos. Gostaria de reclamar daquela vizinha que me acorda às três da manhã e relatar como nossos filhos crescem com saúde e alegria. Mas você não está e não escuta a voz que ressoa de meu ser. Olho na janela e percebo o horizonte negro. É noite. Eu pergunto as estrelas se são capazes de escutar a voz calada do meu lamento. Se podem levar a mensagem abstrata que corre em mim e que está preso em meu olhar... Oh, onde você está (pergunta).
Meu amor, você partiu sem ao menos dizer adeus. Levou na sua mala uma metade grandiosa de meus sonhos. Deixou-me à espera do som da chave que roda na fechadura, dos sapatos a batucar nas tabuas de madeira da sala e ao gemido estridente do piano em meio a madrugada. A falta que você me faz é tão grande que às vezes penso que estou oca por dentro, vazia. Nessa horas sinto uma raiva tão grande que lágrimas rolam de meus olhos e banham a minha face. Não consigo atinar o porque me deixou e o quanto foi fraco por se deixar levar por tudo o que nos aconteceu... Então, deixo o tempo me levar no tique taque mordaz que se arrasta. Eu espero a sua volta... Eu te espero na sala de estar
Mas a verdade que nunca voltará para mim. Suas últimas semanas de vida mostraram quanto seu sofrimento era palpavel e que os sons de sua cosnciencia se esvaíam pouco a pouco. Eu precisa apenas te contar que meu amor é tão intenso quanto as profundezeas de um mar, como o infinto estrelado do universo e tão belo quanto a imagem do pôr do sol de verão... Precisava te dizer que se a vida é eterna como muitos contam, eu te peço que me espere no final do túnel, quando meu ultimo suspirto soar de meus lábios. Eu preciso sentir que há uma esperança e que para nós não existe um fim
Meu amor, essa carta é para dizer que quando tudo acabar, eu vou novamente te encontrar. Segurar as suas mãos, me colar em seu abraço... Efim, te eternizar em mim.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Lágrimas


Tristes, ensopadas de febre, de dor.
Cantadas, dançam em minha face em ardor
E violadas por mãos, Gritadas em medo genitor!
Voam ao ar sufocando as palavras, chamando o destino reator.

Deixei-as rolar nas iras da agonia
Nas discórdia engolidas, por minha felonia!
Beijei-as, amando-as nessa cruel ironia
Desfalecendo cansada no final de cada dia...

Desabafei o torpor de meus enganos
Sei que fui sangrado, rasgando... Inflamando
Nas migalhas da rotina, nos desafetos calando.

Delas fui bebendo e com elas fui crescendo
As prisões dos conceitos, dos tormentos, me desenvolvendo
Nas vitórias envelheci, e na morte delas ainda dependo.

Camilla da Silva Ribeiro.

Amor de Mentira



Nosso amor foi uma mentira
Uma mentira velada por palavras
Sussurada pelos ventos aos pensamentos
Uma história cega de sentimentos

Nosso amor foi uma mentira
Tão certa para os tolos
Tão romantica para os que querem
Sem saber que do peito facas de dor ferem.

Mentira dos labios de que um dia disse amor
Sem saber que a tanto amargor causou
Nas miragens das felonias
Foram cantadas em arabescos as suas sinfonias

Mentiras que ressoam nas paredes
Revoam pelos mares da emoção
Passam pelas vertentes, explodem no Coração
Quais cacos de vidro a quebrarem sem direção

Para que tanta mentira?
Fico a procurar um fio de verdade
Navego pelas imagens
Percebo que só foram miragens
Compostas de tanta falsidade!

Nosso amor foi uma mentira
Talvez apenas para mediocre distração
Como se fosse o encanto das estrelas.
A própria canção feita pela sedução.

Agoro me pergunto onde andará
Mas com absoluta certeza que contigo não quero estar
Palavras são fácies de ser ditas
Ações é que são difícies de serem seguidas
Quando se é amor feito de mentira.


Camilla da Silva Ribeiro

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Despedidas


Nunca repare em meu olhar. Não acredite em minhas palavras jogadas ao vento como um veneno. Não sou uma pessoa que se deva confiar para sonhos de mel onde a felicidade é atributo só para você. Sou o que preciso ser.
Não quero que sugue todo esse meu veneno, mas sempre é preciso acreditar. Não bata novamente em minha porta. Telefona-me se a coisa apertar.
Não quero que fique preso ou remoendo o passado, pois é preciso viver o presente em todo o instante. Não chore quando lembrar de minhas palavras absurdas, acusações, palavrações. Esqueça as roupas rasgadas, o cigarro interminado, os objetos quebrados, as crianças, os sonhos que derramei ao te xingar, a te apontar... A manhã é uma cortina de sangue derramada em raios de sol. As malas, a sua face pantanosa e escurecida pelos momentos noturnos é a ultima lembrança que quero guardar. Já atirei seus retratos na Baia de Guanabara e nesse momento eles bóiam junto aos excrementos... Mas ficou as noites das primaveras e a o amanhecer do verão. Tire-me sua essência, o seu sorriso e me faça entender que nada mais existe do que esse vazio que há meu ser... Pare de me chamar. Preciso viver e esquecer que sou um mar seco evaporado pelos raios da dor.
Acabou e o mais belo dos versos de um poeta se rasgou e foi queimado virando cinzas. Esqueça e beba como o fel o vinho do remorso. Seja feliz mesmo sabendo que me traiu, me arrasou. Sabendo que minhas manhãs sem os seus abraços são sonetos de estrutura vulgar. São desertos. São canções desditas... Seja feliz, pois que te perdoo mesmo sabendo que me traiu.

Camilla da Silva Ribeiro.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Luz do Sol


Na janela de manhã, saúdo o sol com meu olhar que o vê todinho turvo, com os seus raios que beijam meus olhos aflitos e lacrimejados de irritação. Abraça-me a pele, me canta o nome dando aos pássaros a motivação.
Clareia a manhã com seus abraços abraçando-a em extremo calor. O véu de nuvens se encanta pintando céu de branco e azul, dando a beleza tão simples que não há dinheiro que se pague.
Perfuma os mares de maresia, colori as montanhas de flores do campo num verde puro, num branco celeste dando a vida em sereno amor.
Assim as plantinhas, os canteiros de rosas, as pupilas, as tulipas florescem espelhando suas alegrias com perfume a se fundir com o amigo vento que de alegria canta operas, espalhando polens para uma nova flor.
Sussurra arvores de troncos compridos com sua folha a ser beijada e nesse embalo as frutas amadurecem para lábios insaciados.
Assim a vida se estabelece, no doce quadro da natureza, para o homem ser abençoado de encantamentos, de sonhos, inspirações. Mas para que se da vida se torna a morte? Se dos sonhos se torna a dor? Se das aspirações apenas crônicas de infelicidade e amargor? Cadê seus olhos que não reconhecem os céus azuis que se florescem! Há de Deus que se entristece de te vê só e infeliz, sem encontrar o seu matiz!
Sem o sol regresso ao interior do meu lar, entre paredes sólidas e frias... Vendo estofados, objetos sem vida que brilham sem ao menos brilhar, um relógio que conta às horas e que me chama a uma realidade cega de espetáculos. Vencida... Infelizmente fico perdida, sem saber o ponto de partida para ajudar os da vida como a natureza o faz.

Camilla da Silva Ribeiro

Vida


Espero que a vida seja transparente como uma água potável de gosto puro e que me oferece o sustento

Espero que a vida seja uma cantoria no meio das rajadas violentas das armas de fogo que estrondam a madrugada. A madrugada de guerra.

Quero que a vida seja um sonho de felicidade permanente, onde cada suspiro de dor seja uma palavra confortante aos ombros daquele sofre.

A vida teria que ser uma certa melodia que se joga ao ar como uma gargalhada de criança a brincar nos jardins imperiais das lembranças adormecidas.

Se a vida fosse uma eterna esperança arrancaria de meu peito a raiz de meus desesperos e as lágrimas de meus olhos.

Seria como um pássaro a voar em liberdade e eu me desprenderia das correntes que prendem para o sofrimento.

Espero que vida seja a coisa mais bonita que eu já conheci.

Espero que os rastros da maldade que cercam as belezas infindáveis da vida desapareçam como fumaças no progresso de esperanças, lembranças e alegrias no coração do homem que vive, sonha e espera algo melhor nessa caminhada ao topo da luz.

Espero que a vida seja como lágrimas que caem dos olhos feitos um orvalho de paz e semeia os passos do homem de ontem e o de hoje.

Solidão



Nesse quarto escuro, eu sinto a solidão
Compressando meu peito, tirando o ar
Pensamentos voando sem direção
Um vazio sentindo, apatico e singular.

Solidão
Um silêncio que grita dentro ser
As vozes que escuto quando vem o amanhecer
Frutos da nostalgia, miragens do que fui um dia.

Solidão
Presa estou nas redomas de vidro
Que nem com um grito pode quebrar
Tão cercada por aparencias
Tão adequadas e certas, para todos enganar.

domingo, 30 de janeiro de 2011

Eu pensei,


Que pudesse encostar as pontas dos dedos nas estrelas
Que o amor explodiria no peito feito cometas
Que pudesse amar sem me ferir
Retornar a mim mesma, estar de onde parti.

Ó tão sofrida é a desilusão!
O amor é que nem um furacão
Devora sonhos, momentos, o coração!

Eu pensei tantas coisas para dizer
No silencio da noite, diante do amanhecer
Eu pensei que pudesse errar e me redimir
Sonhar sem nunca acordar, acreditar sem questionar.

Ó tão sofrida é a desilusão!
As lembraças são que nem uma canção
Toca na alma, afunda nas vertentes da emoção!

Eu pensei que escalar montanhas fosse o suficiente
Para chegar ao topo de seu coração
Mero engano, não se pode chegar sem autorização.

Eu pensei! Ah eu pensei tanta coisa!
Que poemas eram flores
Que de declarações surgem amores
Sem me importar com possíveis dissabores

Eu pensei que me amasse
Mas para você só foi uma frase
Solta, perdida e infeliz!

Camilla da Silva Ribeiro

Poema feito em 08-10-2009

Devo



Devo dizer que te amo
Mas do que na primeira vez
Devo dizer que te venero mais do que qualquer um.

Devo lhe dar rosas
Entregar meu pobre coração
Entregar juras infindáveis
Que ecoem no ar com a força de um trovão

Devo lhe reservar momentos agradáveis
Como nas ondulações do vento e do mar
Resistir as tentações de uma noite sem lua.
Resistir a este medo que torna meu amor incapaz.

Desenharia no meu mundo gaivotas que voam na imensidão
Sonhos, projetos que invadam o seu mundo.
Desenharia, se possível as linhas que chegam ao meu coração.
Se possível combinava com os pássaros a revoada que levasse ao encontro do seu intimo, pensamentos.
Se possível eternizaria seus olhos, seus lábios, sua voz... Diria apenas devo... Devo-te... Devo te amar para sempre.

Camilla da Silva Ribeiro.

Laços Cortados



Rosa de pétalas arrancadas, de caule cortado, com espinhos cravados.
Deixe de sofrer, ferir, bater, chorar, amaldiçoar, maltratar, depois saber e se arrepender...
De se humilhar!


Será que é como proferes, como profetizas o nosso amor?
São lágrimas avulsas perdidas com o vento agressor?
Punhais que se entregam à carne, que perfura o coração, formando a dor?

Sonhos regados de mentiras, em empáfias dolorosas, com sobejo desnecessário.
Deixa de cair, de se rasgar, de implorar, de mortificar caminhos, de se rastejar por entre pés, depois de não saber mais o por que dessa dor, desesperado enfim...
Queimando-se em quente marfim!

Será que é como proferes, profetizas o nosso amor?
São lágrimas perdidas com o vento agressor?
Punhais que se entregam à carne, que perfura o coração, formando a dor?

E lho peço para parar,
E você se põe a gritar
Em gesticulação põe-se a ficar...
Passos violentos que socam o chão, a pedir... A se humilhar.
E eu não mais te aceito, por não mais te amar.

Camilla da Silva Ribeiro.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Fotografia


Guardei sua fotografia na gaveta.
Estava suja, empoeirada e amassada.
Junto à ela estão meus maços de cigarros usados.
Papéis descartados de trabalhos perdidos.
A luz dos seus olhos me cega.
Seu sorriso me renega as felicidades que outrora conheci.
Suas linhas faciais são quais um labirinto, redes de estradas sem fim.
Na fotografia lá estava um homem que sorria.
Entre os olhos recheados de esperaça estava um rasgo.
Manchas amareladas cobriam o papel preto e branco
Revelava o tempo que se foi que nunca era esquecido.
Estava guardado, tão fechado nas estranhas do meu ser.

Olhava a fotografia em frente a janela
Lá fora o céu me sorria e os pássaros cantavam
O mar deslizava a tocar a areia bege da praia.
Mas meus olhos não olhavam as belezas cristalinas de Deus
Ficava a me remoer de um passado
Que nunca fora o meu.
Pois que você se perdeu nas esquinas infindáveis das ruas
Teceu teias infindáveis até encontrar o seu verdadeiro lar.
Fixou-se apenas onde era o seu lugar.

E o que faço? Se você ainda está aqui?
Quando eu abro a gaveta e vejo seus olhos só para mim
E me lembro do que fui nas aragens perdidas do passado
Fecho os olhos e escuto suas gargalhadas
As lembranças sonoras de nossos momentos gloriosos.
Você foi, mas ainda está aqui... Dentro de meu coração
E fico assim tão perdido quanto uma criança
Esperando apenas uma esperança
De que volte para mim.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Pergunte à Maria


Se já abriu as janelas que dão para o norte
Se recolheu as flores do jardim
Se abriu os olhos após a cada manhã
Se perdoou seu erros, seu passado, as dores de marfim.

Pergunte à Maria se das lágrimas rasas
Sobrou um pouco dos sorrisos
Se ainda remoe os orgulhos bebidos em taças
Tão dimissimulados quanto a canção de um colibri.


Pergunte à Maria se um dia ela amou José.
Aquele que escreveu cartas e sonhos de cabaré.
Se ainda recorda das maravilhas de amar
E dos beijos roubados juntos ao luar.

Pergunte à Maria daquele seu vestido carmim
que moldava seu corpo assim
Se os lábios são ainda de fina flor
Que sugava aos meus com fascínio e fulgor

Diga a Maria que quem pergunta é o José
Aquele mesmo do cabaré!
Se lembrar de mim entre tantos nomes iguais
Diga que dessa Maria eu não esqueci jamais!

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Mãe


Poema feito especialmente para a mulher da minha vida. Minha querida e amada mãe.

Você é uma de minhas únicas verdades, uma das poucas qualidades.
É o balsamo que alivia as minhas dores tão cravadas por punhais, por minhas mãos.

É a frase doce que brota de meus lábios porque de ti que encontrei a única frase que poderia ser dita “te amo”.
É uma pétala branca que desliza belamente pelo ar nas aragens refrescantes da manhã.
É o nascer do sol que se joga por trás dos montes abraçando com sua beleza e quentura as camadas frias e sólidas de meu ser, fazendo de sua chegada algo mais lindo de ser visto.

É o cantar que ressoa em meus ouvidos aliviando as chagas originárias de meus erros e de minhas discórdias.

É o sorriso bondoso que lava o meu rosto alterado.
É o rosto carinhoso que vislumbrei pela primeira vez quando abri os olhos para o mundo e para vida.

Planeta Terra


Linhas douradas riscam o tapete azul anil. Assim desmanchando a pintura das nuvens, caem tocando, mergulhando quais seres celestiais por entre as copas verdes das arvores...

Pássaros como o colibri bebe os néctares das carolas perdidas nas redes de pétalas macias e cheirosas.

Ó estrelas do céu! A imensidão mágica de seus sorrisos se espelha nos quadros da Terra! Encantam em poemas tão eternos, em lembranças e fatos marcados por suas presenças.

O mar debruça devagarzinho numa ida e vinda que se perpetua com os cantares das ondas. Estas abraçam as pedras, dançam com o vento. Sopram cantigas ao encontrarem os recifes.

O céu se escurece... É mais um dia. Lá vem o horizonte perdido na vastidão de pequenas árvores de troncos torcidos. Um vermelho se derrama pelas cortinas de nuvens que se formam e que se encontram com os primeiros morcegos. A noite chega.

As pessoas correm, os pássaros voam, os cachorros latem e se coçam... A lua, o sol. A chuva e o azul cristalino do céu. É à noite, o dia e a madrugada.

As estações passam como uma pena voa numa tempestade. Os anos se transcendem no movimento que se interage com suas percepções e conceitos. A lua volta, os pássaros morrem, mas haverá outros para embalar a manhã... Há a beleza tão suave das imagens de um dia de verão que se renovará a cada ano. Você verá? Verá os raios se transformarem em seres imaginários que salpicam o horizonte, iluminam o musgo?

As chuvas caem para fazer da terra um útero que gera vida, para revigorar a beleza das árvores e flores... Para dar um sentido, uma direção para vida que se transforma, que se repete, que se alumia diante das causas. Você vê a chuva cair? Não é tão refrescante ver as gotinhas molharem os vidros das janelas e molhar as folhas do jardim?

Como é olhar para o mundo sem ter a certeza de que tudo muda? Por que corremos tanto? A Terra gira e seus ciclos se renovam a cada dia. Tudo se transforma: A matéria, a natureza. Nenhum pôr ou nascer do sol será o mesmo, pois cada dia Deus pinta um quadro mais belo. Seja ele entre as tempestades, entre os pântanos e penhascos.

Assim como o tempo passa a dor que está em seu peito passará, pois que Tudo na Terra é passageiro, gira em torno de idéias, de imagens. As estações mudarão dentro de ti quando os primeiros raios fazerem o seu nascer, depois da morte de seus medos e fracassos. Movimente-se! Viva! Permita-se fazer parte do ciclo mais importante – As suas necessidades, razoes e verdades se movimentando, se transformando!


Camilla da Silva Ribeiro.