terça-feira, 9 de novembro de 2010

Poema da Separação




Minhas linhas são desenhos oblíquos, são traços incoerentes, estradas vazias...
Os olhos são espelhos que refletem uma noite escura, sem lua e com nuvens tampando as estrelas.
Meus cabelos desabam em cascatas sobre meus ombros...
Desenham a minha face com expressões embaçadas, embrutecidas pelo sabor amargo da vida...

Eu voltei, das sombras, eu vivi.
Eu surgi entre cinzas e jasmins.
E as lágrimas que perdi secaram, evaporaram e se tornaram sal.

Ouço a melodia estranha do silencio, o canto desvairado dos pensamentos que correm e voltam quais notas perdidas no ar.
Meu grito estranho ressoa nas paredes de meu ser
Meu ser te chama.
Te clama! Onde você está?

Continuo comendo, respirando, mas não vivendo...
E as redomas de vidro me cercam, formam aparências mescladas à superficialidade, a falsidade.
Os meus grãos se perdem e exploram a essência vazia do nada e se revoltam em iras e mentiras.
Ó! Minha voz que se calou!
Ó meu pranto que se apagou!
Ó minha imagem que esvaiu com o sopro angustiado do tempo.

Eu voltei para o lugar que parti
Remendei os cacos de mim
Me encontrei, me perdi e sufoquei as saudades que senti!

Tenho saudades dos sorrisos, do meu olhar.
Abandonei-me nas estradas da vida.
Iludi-me com inexatidão das palavras
Sucumbi ao instante que te perdi...

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