terça-feira, 30 de novembro de 2010

Amizade


Quero que nossos laços sejam eternos.
Quero que nossos passos sejam ternos, singelos... Sinceros.
Quero que nossas mãos sempre se unam, que nossos abraços se entrelacem.

Seus segredos são pérolas douradas que guardei na memória.
São quais joias raras e ouros que defenderei de quem quiser os roubar.
Nossos momentos são minha maior riqueza, uma de minhas únicas alegrias.

Não Quero jamais que a tristeza te emudeça.
Sendo assim, no palco da vida, entre a certeza e a incerteza, o desespero e a razão de mim nunca se esqueça

Lei dos Sexagenários


Jurema subiu o morro. Levava nas mãos calosas um pratinho com arroz, feijão, farofa e frango. Resmungavas palavras em sussurros e invocava Deuses da macumba e horas inventados por ela própria.
Ia cantarolando canções deixadas pelo seio familiar com os olhos encharcados de lágrimas, não de sofrimento, mas com um ar nitidamente saudoso e recheado de ternura. Revivia nos cânticos antigos de criança, as danças. Adorava aos que lhe aplaudiam o bailado, o som africano em meio a mulheres de cor negra brilhante que rodopiavam febris em chão de terra com os pés descalços.
Sonhou quando vislumbrou num beco, dois namorados a proferir juramentos de amor eterno, suplicas de beijos insaciados, frases melosas que pelo seu orgulho talvez nunca foram ditas em juventude. Procurava na mente algum fato que poderia ter sido embarcado nessas sensações sublimes e entristeceu-se quando percebeu que em sua história poucas vezes sentiu o que foi o amor, ou nem o soube. Trazida da Angola aos quatro anos a única coisa que sentiu foi as chicotadas cortar as suas carnes, as violências sexuais molestarem suas entranhas de moça, as saudades infernais dos braços de sua mãezinha, o aperto de mão caloroso de seu pai. O que sentiu foi o medo terrível da morte e a vontade louca de correr por entre os campos e beijar a mata verde.
Nunca se sentiu escrava, pois que nenhum homem mais poderoso que seja a impediu de sonhar, de cantar as canções de terreiro, de sonhar em um amor, de pensar, de sentir dor, ódio, de amar seus entes queridos...
Hoje foram libertos os escravos de sessenta anos, e ela aos oitenta sobe o morro, com lágrimas que saboreiam a face. Deixa ao seu santo uma oferta por ter ouvido as suas preces e por ter a deixado correr pelos campos e de beijar as matas.

Vazio


Palavras são sinais sonoros, aglomerações de letras que vibram no ar. São ecos do íntimo, são sombras da alma.
As vozes silenciam a canção dos sentimentos, objetivam e absorvem as ondulações musicais das batidas de seu coração. Você escuta o que há em seu coração?
O que há de mais belo: O brilho das estrelas encontrando a imensidão azul marinho da noite ou a imagem formada pelas suas silabas?

Tento ver o brilho de seus olhos assim como vejo o brilho das ametistas, das esmeraldas.
Tento encontrar no sussurro de seu silencio a essência de seu espírito.
Procuro-te nos gestos, nos sorrisos, no meu próprio ser... Para quê palavras quando poço te enxergar?Quando os atos, os passos nos mostra como somos verdadeiramente.

Sinto-te na calma noturna, nas migalhas deixadas pelos seus passos. Procurando as raízes de você... Você está perdido no meu absurdo silencio.
As palavras para mim não valem de nada, pra você uma conseqüência viável de convivência, de educação.

Sinto-te secretamente colhendo de ti os frutos doces das lembranças vazias, dos momentos que nunca existiram, que são um espaço negro e inexistente para sua memória. Para mim são violetas nascendo na solidão e no silencio de minha alma.

Sem Fim


Tem que ser o melhor que eu já fiz.
Se renovar em cada gesto, a emoção.
No contato, no cheiro e nas batidas do coração.

Na revirada de linhas faciais, o encantamento.
O sabor único que faz deste o nosso momento.
No soneto feito pelas estrelas.
No canto lindo dos anjos que sorriem lá do céu.

Que não seja recheado de lágrimas superfulas.
Que não seja feito por obrigação.
Sendo esse nosso amor a razão.

Seja a nossa última chamada para a realidade.
Seja palavras esquecidas no esplendor de nossos olhos, que dizem algo mais de nós.
Seja unicamente belo quando se trata do meu e do seu amanhã.

O amor que seja o alvo, o andar, a jornada.
Sendo a nossa última caminhada o verso lindo da estrelas.
O amor nas primeiras descobertas, no último sorriso e na última lembrança.

Seja assim contemplado como o horizonte.
Seja assim guardado para mim, abstrato para percepção e cego para as palavras.

Que seja a você o lábaro branco que se estende nos pensamentos.
Que seja os sonhos do inexato e sem fim amor.

Caminhos


Deus!Sei que o vale é muito escuro, mas mesmo assim o desafio.
Sei que a bela rosa tem espinhos, mas mesmo assim a toco.

Deus! Sei que o rio Das lágrimas afunda e mata, mas mesmo assim mergulho.
Sei que a dependência adia o gosto amargo do remédio, mas eu a quero.
Sei que areia movediça afunda e corroe, mas naquele momento me parecia o melhor. Fui fundo.
Sei que as pedras cortam os pés, mas mesmo assim as piso.

Se o vale é escuro o céu é azul, pois precisamos da escuridão do vale para encontrar a luz do céu.
A bela flor machuca, mas esperança me curará a dor.
O rio das lágrimas afunda e mata, mas é sempre tempo de levantar.
A dependência adia a dor cruel, mas sei que um dia terei que andar com minhas próprias pernas.
A areia movediça sufoca e corroe, mas sempre terei outras existências para ter novas escolhas.

A vida é uma escolha de caminhos que nos levam para o paraíso ou para o inferno.
Às vezes procuramos estradas erradas, mas Deus com sua infinita sabedoria nos deixou o direito da escolha. Nos deu direito a errar e prosseguir de encontro à luz...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ilogica do Amor


Sei que seus atos escondem algo, um pensamento pueril, a lógica do inexato
Sei que seus lábios são convites reais, parciais, que guardam uma essência pura e singular...
Sei também que é tão fácil me perder em seu olhar, deslizar nos labirintos de suas íris, nos arabescos de suas pestanas...

É como perder uma parte de si mesma, encontrando um pedaço que faltava.
Saber o momento certo para desbravar os limites da sua alma, sem ao menos decifrar o mistério do amor
É levitar quando nada te restasse, quando o medo te abalasse, vontade de morrer de amor...
E como se não terminasse, os meus pensamentos se concentrassem nos nossos momentos de torpor...

Poema da Separação




Minhas linhas são desenhos oblíquos, são traços incoerentes, estradas vazias...
Os olhos são espelhos que refletem uma noite escura, sem lua e com nuvens tampando as estrelas.
Meus cabelos desabam em cascatas sobre meus ombros...
Desenham a minha face com expressões embaçadas, embrutecidas pelo sabor amargo da vida...

Eu voltei, das sombras, eu vivi.
Eu surgi entre cinzas e jasmins.
E as lágrimas que perdi secaram, evaporaram e se tornaram sal.

Ouço a melodia estranha do silencio, o canto desvairado dos pensamentos que correm e voltam quais notas perdidas no ar.
Meu grito estranho ressoa nas paredes de meu ser
Meu ser te chama.
Te clama! Onde você está?

Continuo comendo, respirando, mas não vivendo...
E as redomas de vidro me cercam, formam aparências mescladas à superficialidade, a falsidade.
Os meus grãos se perdem e exploram a essência vazia do nada e se revoltam em iras e mentiras.
Ó! Minha voz que se calou!
Ó meu pranto que se apagou!
Ó minha imagem que esvaiu com o sopro angustiado do tempo.

Eu voltei para o lugar que parti
Remendei os cacos de mim
Me encontrei, me perdi e sufoquei as saudades que senti!

Tenho saudades dos sorrisos, do meu olhar.
Abandonei-me nas estradas da vida.
Iludi-me com inexatidão das palavras
Sucumbi ao instante que te perdi...