domingo, 17 de outubro de 2010

O Céu e o Mar



Disseram que o céu nunca mais se encontraria com o mar, que suas cores não fundiriam numa imagem turquesa, sublimada pela luz do sol.

O espelho das águas refletiu a imensidão do nada, o vazio indefinido da sua falta... Refletiu os olhos sem cor e vida que desenharam a face.

O céu azul assim surgiu sem as tempestades, sem as águas do final de um dia de calor. O mar assim nunca mais voltou, as nuvens se diluíram em cinzas e em nada alem de lembranças... O mar perdido secou. As gotas do mar se esvaíram em vapor.

Disseram que o céu preferiu a noite quando o mar em passos sofridos ficou. E o mar longe e preocupado com suas ondas e seus habitantes mal percebeu os raios e aos trovoes que lhe dilaceravam o intimo.

O céu preferiu dar a lua suas nuvens e escureceu a manhã mais um dia.
O mar foi definhando, procurando, se olhando! Estava raso e suas ondas de dor perturbavam as pedras, as socavam diante de sua ira e de seu fracasso! Cadê o céu? Eu vou secar? O que será do mundo para eu lhes saciar?

Disseram um dia que o homem esqueceu o amor quando as paredes eram um pedaço sólido de felicidades. Preferiu a dor e o rancor quando os primeiros sofrimentos deixaram de ser raízes, mas sim frutos.

Disseram que sem o homem, o amor triste, evaporou para as camadas mais imperceptíveis. Ficou tão raso que ficou com medo e se transformou em ira... Foi escurecendo e perdendo o seu brilho perante a vida.
Disseram que sem o amor o mundo seria um mar sem um céu azul...

Camilla da Silva Ribeiro

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