domingo, 17 de outubro de 2010

Mariana e Arthur




Entrou em casa batendo a porta, gritando palavras e o seu nome. Escandaloso como tal beijo-lhe os lábios. Tomou-lhe corpo. Surrando rosas, rasgando roupas e matando sonhos...

Dizendo frases de mau tamanho. Manchou a honra de homem em sede voraz de lágrimas...
Bebendo-lhe os néctares flor a xingando de estúpida e sem vergonha.

Cerrada em dores, no lençol laranja, deitou seu corpo nu e branco a maldizer a sua existência, sem mais resistência...
E no espelho os lábios mordidos, sujos de batom carmim.
Os olhos pantanosos, roxos e negros de não dormir.

Cantou, desdita a aurora, em raios amarelos, num encanto das flores e na casa mais uma rosa que se murcha de desgosto.
E ele sai novamente, e num bar mais uma vez estará. E ela já se põe a esperar sem mais nada da vida esperar...

Camilla da Silva Ribeiro

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