sábado, 23 de outubro de 2010

O Barquinho





O barquinho que navegou
Rompeu os continentes
Jogou sua âncora no mar
E assim a profundeza foi visar.

Conheceu tão pequenino barquinho as estrelas do mar
Ouvindo das sereias o doce cantar
Beijou a terra no porto.
Chorou com a revolta das ondas e tremeu-se de dor.

Ficava alegre com o vento a sussurrar
Sentiu cócegas quando o navegador foi navegar
E esperou a noite chegar para que com o beijo do luar fosse assim sonhar.

CAMILLA DA SILVA RIBEIRO.












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domingo, 17 de outubro de 2010

O Céu e o Mar



Disseram que o céu nunca mais se encontraria com o mar, que suas cores não fundiriam numa imagem turquesa, sublimada pela luz do sol.

O espelho das águas refletiu a imensidão do nada, o vazio indefinido da sua falta... Refletiu os olhos sem cor e vida que desenharam a face.

O céu azul assim surgiu sem as tempestades, sem as águas do final de um dia de calor. O mar assim nunca mais voltou, as nuvens se diluíram em cinzas e em nada alem de lembranças... O mar perdido secou. As gotas do mar se esvaíram em vapor.

Disseram que o céu preferiu a noite quando o mar em passos sofridos ficou. E o mar longe e preocupado com suas ondas e seus habitantes mal percebeu os raios e aos trovoes que lhe dilaceravam o intimo.

O céu preferiu dar a lua suas nuvens e escureceu a manhã mais um dia.
O mar foi definhando, procurando, se olhando! Estava raso e suas ondas de dor perturbavam as pedras, as socavam diante de sua ira e de seu fracasso! Cadê o céu? Eu vou secar? O que será do mundo para eu lhes saciar?

Disseram um dia que o homem esqueceu o amor quando as paredes eram um pedaço sólido de felicidades. Preferiu a dor e o rancor quando os primeiros sofrimentos deixaram de ser raízes, mas sim frutos.

Disseram que sem o homem, o amor triste, evaporou para as camadas mais imperceptíveis. Ficou tão raso que ficou com medo e se transformou em ira... Foi escurecendo e perdendo o seu brilho perante a vida.
Disseram que sem o amor o mundo seria um mar sem um céu azul...

Camilla da Silva Ribeiro

Mariana e Arthur




Entrou em casa batendo a porta, gritando palavras e o seu nome. Escandaloso como tal beijo-lhe os lábios. Tomou-lhe corpo. Surrando rosas, rasgando roupas e matando sonhos...

Dizendo frases de mau tamanho. Manchou a honra de homem em sede voraz de lágrimas...
Bebendo-lhe os néctares flor a xingando de estúpida e sem vergonha.

Cerrada em dores, no lençol laranja, deitou seu corpo nu e branco a maldizer a sua existência, sem mais resistência...
E no espelho os lábios mordidos, sujos de batom carmim.
Os olhos pantanosos, roxos e negros de não dormir.

Cantou, desdita a aurora, em raios amarelos, num encanto das flores e na casa mais uma rosa que se murcha de desgosto.
E ele sai novamente, e num bar mais uma vez estará. E ela já se põe a esperar sem mais nada da vida esperar...

Camilla da Silva Ribeiro

Destino


Destino



Se eu pudesse escreveria meu destino com letras douradas tal como os raios de sol.
Desbravava o horizonte e o final do arco-íris... Tudo seria possível!

Se eu pudesse mudar estradas, contornar rios e destruir rotas desviaria meu caminho para continuar no seu qual uma ave nômade e um viajante que encontra um oásis guiado pelas estrelas no céu.

Assim, penso como faço para chegar ao horizonte quando os pés só podem alcançar o possível(pergunta)...
Como faço para ver o que há após o arco-íris quando todos nos contam que isso é apenas um mito!

Assim, perguntou-me se por acaso nos perdermos no caminho um dia nos encontraremos num final de uma trajetória.
Conseguirei assim viver os planos estipulados e traçados relembrando a cada dia o que é estar nos braços seus(pergunta)
Sabendo como são seus beijos, palavras e nossos momentos...

Mas ao mesmo tempo, não tenho os raios de sol que escreveriam as letras dourada e nem o poder de mudar estradas... E minha alma se encarceraria ao sabor da culpa ao saber que destruí rotas!
Mas se eu pudesse só por um ligeiro instante eu seria esse tal viajante para estar mudando o curso do destino...


Camilla da Silva Ribeiro

Rio: 17-10-2010