terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Metade


Falta-me uma metade.
É como se fosse um universo sem planetas
Um autoconhecimento onde não há uma verdade.

Falta-me uma metade.
Perdida no silencio.
Sozinha na Multidão.
Entre olhares que se perdem, sem uma direção.

Falta-me uma metade.
Um soneto cujas rimas desafinaram
Lágrimas que evaporaram...
Aves que nunca mais cantaram

Faltar um pedaço...
Pedaço do Coração
Levada a Metade.
Perdida, Amassada... Tão maltratada pela ilusão!

Cadê metade que um dia eu lhe dei?
Roubada por suas mentiras.
Depois vendida no mercado da dores.
Comprada para sempre pelas saudades.

Falta-me uma metade que está presa a ti.
Morando nas lembranças...
Tão distante quanto minhas esperaças.
Foi lhe entregando que a perdi.

Camilla da Silva Ribeiro

Amor


Escrito pelos poetas
Eterno para os que amam
Perdido para os que esquecem
Silencioso, depois que apaga a chama.
Amar? E a voz de quem o clama?
Onde está amor para quem não ama?

Relatado em livros
Chorado por olhos quando é negado.
Sugado. Esquartejado.... Idealizado.
Será uma história que poucos contam?
Seria uma utopia descartada?Uma verdade apagada?

Sentido nos braços ao embalar o filho
Completo quando comprendido
Amor, quando vivido jamais é sofrido
Sendo assim, o amor é uma causa sem razão.
Uma renuncia e um adeus para ilusão

Camilla da Silva Ribeiro

domingo, 19 de dezembro de 2010

O Melhor Amigo


Meu coração bate e minhas lágrimas uma mistura de orvalho cristalino e de amor. Amigo, balançar do vento que sussurra em meus ouvidos conselhos. Se eu não acertar meu caminho vou brigar. Vou rasgar. Vou me esconder de você que com um conselho, uma verdade, pode me fazer sofrer.
Amigo é aquele que vem como brisa perfumada da verdade e que limpa as feridas de nossa dor com suas lágrimas salgadas de amor. É aquele que só com um olhar ou um sorriso diz: EU TE AMO.
Que na noite fria onde pesadelos infindáveis tomam conta vem como uma sinfonia suave. Alisa o rosto suado e que baixo diz: “EU ESTOU AQUI. NÃO TENHA MEDO .QUANDO PRECISAR É SÓ CHAMAR”.
Esse amigo você pode estar pensando que não existe. Que é um ser de meu pensamento poético. Mas ele esta nada mais nada menos que ao seu lado sorrindo e chorando contigo em todas as fases que foram e que virão. É só você chamá-lo que como um remédio te curará a dor .Ele é unicamente Deus!

Verdade Omitida


Você está perto, mas ao mesmo tempo está longe.
Seus gestos estão presos em algum lugar de seus pensamentos.
Seu sorriso está fechado para alguém que lhe convém.

Está longe por suas palavras não significarem aos meus ouvidos;
São mentiras, enquanto para ela são verdades.
Você assim como eu somos uma mentira e ao mesmo tempo uma verdade
Que foi omitida.

Somos agora o espelho de nossa ignorância e a dor de nossos desejos inconscientes e parciais.

Renúncia


Nego-te o amor, senhora.
Sufocando meus ímpetos. Matando auroras...
Saboreando o amargor de abalroas
E morrendo de dor nos passos de agora.

Gritando em desespero, despedidas aos ventos
Em triste lamento, deixando-te em desalentos...
Não por que hei de odiar... Adeus nossos Momentos!
Cruel hei que sou... É o dia de meu casamento.

Lágrimas se prendem em meu olhos a brilhar
E chamo-te o nome para quem quiser escutar
Em delírio e febre rasgo-me... Altero-me e vou para o altar.

Repito-me na voz que vem do coração
Destila-me do peito a chama da emoção!
Renuncio-te, minha vida...Minha paixão.

Camilla da Silva Ribeiro

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Adeus



Não obstante de um querer me iludi quase que sem querer.
As chagas se cravaram em mim. Esbravejei no jazer de minha vida.
No santuário de minha alma o obsequio me veio com duvidas insanas qual o meu amor


Não obstante se fez os lábios, se fez as suplicas...Partiu sem dizer para onde...
As mãos se elevaram num adeus sem sentido.
As palavras chamejaram ímpetos desregrados, em um grito calado e preso nas entranhas de meu ser...
E as lágrimas ofuscaram meus olhos a permitindo caminhar para outra direção!

Solucei desvairado de loucura me debatendo e pedindo a Deus que voltasse!
Cravei em agonia as penitencias de uma estrada. Deixei seco o solo de meu coração!

Onde estará alma minha que arranquei sem nenhuma preocupação?
A saudades me matam, ó Deus!
Onde estarão os passos que me deram a razão para viver?


Aquele Adeus banal...
Adeus para sempre...
Adeus felicidade de meu cotidiano, os sorrisos angelicais.
Adeus à única verdade que me possui: O meu amor por você.

O Poeta


Peguei o lápis para escrever;
Pensei num céu cheio de nuvens cujo em lágrimas se derramava, mas o meu céu era de estrelas que nem em gemidos se alterava.
Arredondei a letra e contei de fatos em que o desespero nos põe pensar na vida e o que dela esperar.
Não sei se choro ou se sorrio quando uma musica toma o ar e palavras surgem no decorrer de frases, de letras aglomeradas!


Peguei o lápis para escrever;
Pensei num mar turvo da meia-noite onde a neblina tomava os montes e escondia o farol, mas o meu mar era feito pelo horizonte, no despertar dos raios lúridos do sol.
Minha mão assim se treme e meu coração assim se exalta. Nenhuma palavra dita assim se revela para que dela eu construa um poema.

Camilla da Silva Ribeiro.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Indescritível para as palavras


Seu beijo é um morango açucarado. Sua risada é uma harpa helenística ressoando no ar. As mais simples representações de sua alegria, seu sorriso, sua palavra são corais de pássaros que envolvem a tarde...
Como caracterizá-lo se para mim é algo indescritível a lógica humana. Feito de virtudes e defeitos fazem dessa rede um enigma, um desejo.

Adoro quando fica chateado e sua face se mergulha num mar vermelho e suas linhas de expressão se juntam dando ares de preocupação.
Adoro quando sua alegria se espelha com sua vontade. Os seus gestos e os seus planos se juntam as minhas expectativas e se transformam numa trajetória.

Você é o mistério de uma noite. Uma canção leve saída dos fios de náilon de um violão. São notas que desafiam o ar e ressoam nos espaços vazio da vida cotidiana.
Você é simples e ao mesmo tempo grandioso.

Suas criticas me fortalecem e me aborrecem na hora que são ditas.
Adoro estar contigo na hora do tédio onde as coisas se escassam, pois você é divertimento que me distrai. É o tempo que voa com a velocidade da luz. Com você jamais tenho tempo.

Indescritível para o conhecimento. Imenso para seu total reconhecimento. Você é tão intenso que não cabe dentro de mim...

A Sereia e o Navegador


Hoje de manhã ao acordar, resolvi arrumar meu quarto. Encontrei esse poema escrito em 15-08-2002 junto à alguns documentos. É bem antigo e não pensava encontrá-lo depois de tanto tempo perdido. Trata-se de uma literatura de cartel, muito utilizado na cultura nordestina. Foi feito para um trabalho da escola.


Princesa ela era do mar.
Lá no Sertão se escutava seu cantar.
Sua história aqui vou lhes contar.
A linda e triste sereia e seu amado na terra de Iemanjá.

Ele veio de uma navegação lá de longe do Sultão.
Levava no coração o peso de uma traição.
Nos olhos um brilho de ilusão.
Depois de uma tempestade o árabe caiu nas terras do Sertão.

Seu nome era Abidu.
Usava um cordão e várias pulseiras em sua mão.
Um belo dia de luar foi à margem do mar.
Queria achar o caminho que para a sua casa o iria levar

Uma cantar rompeu o ar.
Fazendo-o imaginar e um fascínio em seu peito brotar.
A melodia o levou e em sua frente um rosto de mulher se formou.
A luz da lua a iluminar e o canto mais alto fez o coração do navegador pulsar.


Ó bela Iemanjá o rosto do rapaz foi admirar.
E naquele momento apaixonada foi ficar,
Logo se lembrou do feitiço que a tomou
Sendo assim infeliz rapidamente se retirou.

Abidu a viu no mar entrar não poderia deixá-la escapar.
Pulou sem ao menos respirar.
Iemanjá em prantos ficou.
Quando descobriu que desde o primeiro instante o amou.

O navegador foi lhe falar que com ele fosse se casar.
Esqueceu da sua última dor, com o seu novo amor.
Mas a sereia do mar disse que com ele não poderia ficar.

Ele a interrogou e ela sua história lhe contou.
HÁ muito tempo atrás um mau feiticeiro a enfeitiçou.
Por ela se apaixonou.
A bela o desprezou e o ao mesmo tempo dele caçoou.
Como castigo para toda eternidade a metade de um peixe ia ter.
Ia aparecer nas noites de luar e ia assim proteger o mar.

Abidu falou que com ele se possível fosse ia ficar.
E a Deus foi confiar a pedir, a louvar.
Quando a noite chegasse ela fosse o mar e ele, o luar.
Assim os dois para sempre iriam se encontrar.

Depois de implorar a voz de Deus falou
O encanto novo se formou.
Abidu no manto de estrelas morou
E Iemanjá para todo sempre com ele ficou.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Amizade


Quero que nossos laços sejam eternos.
Quero que nossos passos sejam ternos, singelos... Sinceros.
Quero que nossas mãos sempre se unam, que nossos abraços se entrelacem.

Seus segredos são pérolas douradas que guardei na memória.
São quais joias raras e ouros que defenderei de quem quiser os roubar.
Nossos momentos são minha maior riqueza, uma de minhas únicas alegrias.

Não Quero jamais que a tristeza te emudeça.
Sendo assim, no palco da vida, entre a certeza e a incerteza, o desespero e a razão de mim nunca se esqueça

Lei dos Sexagenários


Jurema subiu o morro. Levava nas mãos calosas um pratinho com arroz, feijão, farofa e frango. Resmungavas palavras em sussurros e invocava Deuses da macumba e horas inventados por ela própria.
Ia cantarolando canções deixadas pelo seio familiar com os olhos encharcados de lágrimas, não de sofrimento, mas com um ar nitidamente saudoso e recheado de ternura. Revivia nos cânticos antigos de criança, as danças. Adorava aos que lhe aplaudiam o bailado, o som africano em meio a mulheres de cor negra brilhante que rodopiavam febris em chão de terra com os pés descalços.
Sonhou quando vislumbrou num beco, dois namorados a proferir juramentos de amor eterno, suplicas de beijos insaciados, frases melosas que pelo seu orgulho talvez nunca foram ditas em juventude. Procurava na mente algum fato que poderia ter sido embarcado nessas sensações sublimes e entristeceu-se quando percebeu que em sua história poucas vezes sentiu o que foi o amor, ou nem o soube. Trazida da Angola aos quatro anos a única coisa que sentiu foi as chicotadas cortar as suas carnes, as violências sexuais molestarem suas entranhas de moça, as saudades infernais dos braços de sua mãezinha, o aperto de mão caloroso de seu pai. O que sentiu foi o medo terrível da morte e a vontade louca de correr por entre os campos e beijar a mata verde.
Nunca se sentiu escrava, pois que nenhum homem mais poderoso que seja a impediu de sonhar, de cantar as canções de terreiro, de sonhar em um amor, de pensar, de sentir dor, ódio, de amar seus entes queridos...
Hoje foram libertos os escravos de sessenta anos, e ela aos oitenta sobe o morro, com lágrimas que saboreiam a face. Deixa ao seu santo uma oferta por ter ouvido as suas preces e por ter a deixado correr pelos campos e de beijar as matas.

Vazio


Palavras são sinais sonoros, aglomerações de letras que vibram no ar. São ecos do íntimo, são sombras da alma.
As vozes silenciam a canção dos sentimentos, objetivam e absorvem as ondulações musicais das batidas de seu coração. Você escuta o que há em seu coração?
O que há de mais belo: O brilho das estrelas encontrando a imensidão azul marinho da noite ou a imagem formada pelas suas silabas?

Tento ver o brilho de seus olhos assim como vejo o brilho das ametistas, das esmeraldas.
Tento encontrar no sussurro de seu silencio a essência de seu espírito.
Procuro-te nos gestos, nos sorrisos, no meu próprio ser... Para quê palavras quando poço te enxergar?Quando os atos, os passos nos mostra como somos verdadeiramente.

Sinto-te na calma noturna, nas migalhas deixadas pelos seus passos. Procurando as raízes de você... Você está perdido no meu absurdo silencio.
As palavras para mim não valem de nada, pra você uma conseqüência viável de convivência, de educação.

Sinto-te secretamente colhendo de ti os frutos doces das lembranças vazias, dos momentos que nunca existiram, que são um espaço negro e inexistente para sua memória. Para mim são violetas nascendo na solidão e no silencio de minha alma.

Sem Fim


Tem que ser o melhor que eu já fiz.
Se renovar em cada gesto, a emoção.
No contato, no cheiro e nas batidas do coração.

Na revirada de linhas faciais, o encantamento.
O sabor único que faz deste o nosso momento.
No soneto feito pelas estrelas.
No canto lindo dos anjos que sorriem lá do céu.

Que não seja recheado de lágrimas superfulas.
Que não seja feito por obrigação.
Sendo esse nosso amor a razão.

Seja a nossa última chamada para a realidade.
Seja palavras esquecidas no esplendor de nossos olhos, que dizem algo mais de nós.
Seja unicamente belo quando se trata do meu e do seu amanhã.

O amor que seja o alvo, o andar, a jornada.
Sendo a nossa última caminhada o verso lindo da estrelas.
O amor nas primeiras descobertas, no último sorriso e na última lembrança.

Seja assim contemplado como o horizonte.
Seja assim guardado para mim, abstrato para percepção e cego para as palavras.

Que seja a você o lábaro branco que se estende nos pensamentos.
Que seja os sonhos do inexato e sem fim amor.

Caminhos


Deus!Sei que o vale é muito escuro, mas mesmo assim o desafio.
Sei que a bela rosa tem espinhos, mas mesmo assim a toco.

Deus! Sei que o rio Das lágrimas afunda e mata, mas mesmo assim mergulho.
Sei que a dependência adia o gosto amargo do remédio, mas eu a quero.
Sei que areia movediça afunda e corroe, mas naquele momento me parecia o melhor. Fui fundo.
Sei que as pedras cortam os pés, mas mesmo assim as piso.

Se o vale é escuro o céu é azul, pois precisamos da escuridão do vale para encontrar a luz do céu.
A bela flor machuca, mas esperança me curará a dor.
O rio das lágrimas afunda e mata, mas é sempre tempo de levantar.
A dependência adia a dor cruel, mas sei que um dia terei que andar com minhas próprias pernas.
A areia movediça sufoca e corroe, mas sempre terei outras existências para ter novas escolhas.

A vida é uma escolha de caminhos que nos levam para o paraíso ou para o inferno.
Às vezes procuramos estradas erradas, mas Deus com sua infinita sabedoria nos deixou o direito da escolha. Nos deu direito a errar e prosseguir de encontro à luz...

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Ilogica do Amor


Sei que seus atos escondem algo, um pensamento pueril, a lógica do inexato
Sei que seus lábios são convites reais, parciais, que guardam uma essência pura e singular...
Sei também que é tão fácil me perder em seu olhar, deslizar nos labirintos de suas íris, nos arabescos de suas pestanas...

É como perder uma parte de si mesma, encontrando um pedaço que faltava.
Saber o momento certo para desbravar os limites da sua alma, sem ao menos decifrar o mistério do amor
É levitar quando nada te restasse, quando o medo te abalasse, vontade de morrer de amor...
E como se não terminasse, os meus pensamentos se concentrassem nos nossos momentos de torpor...

Poema da Separação




Minhas linhas são desenhos oblíquos, são traços incoerentes, estradas vazias...
Os olhos são espelhos que refletem uma noite escura, sem lua e com nuvens tampando as estrelas.
Meus cabelos desabam em cascatas sobre meus ombros...
Desenham a minha face com expressões embaçadas, embrutecidas pelo sabor amargo da vida...

Eu voltei, das sombras, eu vivi.
Eu surgi entre cinzas e jasmins.
E as lágrimas que perdi secaram, evaporaram e se tornaram sal.

Ouço a melodia estranha do silencio, o canto desvairado dos pensamentos que correm e voltam quais notas perdidas no ar.
Meu grito estranho ressoa nas paredes de meu ser
Meu ser te chama.
Te clama! Onde você está?

Continuo comendo, respirando, mas não vivendo...
E as redomas de vidro me cercam, formam aparências mescladas à superficialidade, a falsidade.
Os meus grãos se perdem e exploram a essência vazia do nada e se revoltam em iras e mentiras.
Ó! Minha voz que se calou!
Ó meu pranto que se apagou!
Ó minha imagem que esvaiu com o sopro angustiado do tempo.

Eu voltei para o lugar que parti
Remendei os cacos de mim
Me encontrei, me perdi e sufoquei as saudades que senti!

Tenho saudades dos sorrisos, do meu olhar.
Abandonei-me nas estradas da vida.
Iludi-me com inexatidão das palavras
Sucumbi ao instante que te perdi...

sábado, 23 de outubro de 2010

O Barquinho





O barquinho que navegou
Rompeu os continentes
Jogou sua âncora no mar
E assim a profundeza foi visar.

Conheceu tão pequenino barquinho as estrelas do mar
Ouvindo das sereias o doce cantar
Beijou a terra no porto.
Chorou com a revolta das ondas e tremeu-se de dor.

Ficava alegre com o vento a sussurrar
Sentiu cócegas quando o navegador foi navegar
E esperou a noite chegar para que com o beijo do luar fosse assim sonhar.

CAMILLA DA SILVA RIBEIRO.












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domingo, 17 de outubro de 2010

O Céu e o Mar



Disseram que o céu nunca mais se encontraria com o mar, que suas cores não fundiriam numa imagem turquesa, sublimada pela luz do sol.

O espelho das águas refletiu a imensidão do nada, o vazio indefinido da sua falta... Refletiu os olhos sem cor e vida que desenharam a face.

O céu azul assim surgiu sem as tempestades, sem as águas do final de um dia de calor. O mar assim nunca mais voltou, as nuvens se diluíram em cinzas e em nada alem de lembranças... O mar perdido secou. As gotas do mar se esvaíram em vapor.

Disseram que o céu preferiu a noite quando o mar em passos sofridos ficou. E o mar longe e preocupado com suas ondas e seus habitantes mal percebeu os raios e aos trovoes que lhe dilaceravam o intimo.

O céu preferiu dar a lua suas nuvens e escureceu a manhã mais um dia.
O mar foi definhando, procurando, se olhando! Estava raso e suas ondas de dor perturbavam as pedras, as socavam diante de sua ira e de seu fracasso! Cadê o céu? Eu vou secar? O que será do mundo para eu lhes saciar?

Disseram um dia que o homem esqueceu o amor quando as paredes eram um pedaço sólido de felicidades. Preferiu a dor e o rancor quando os primeiros sofrimentos deixaram de ser raízes, mas sim frutos.

Disseram que sem o homem, o amor triste, evaporou para as camadas mais imperceptíveis. Ficou tão raso que ficou com medo e se transformou em ira... Foi escurecendo e perdendo o seu brilho perante a vida.
Disseram que sem o amor o mundo seria um mar sem um céu azul...

Camilla da Silva Ribeiro

Mariana e Arthur




Entrou em casa batendo a porta, gritando palavras e o seu nome. Escandaloso como tal beijo-lhe os lábios. Tomou-lhe corpo. Surrando rosas, rasgando roupas e matando sonhos...

Dizendo frases de mau tamanho. Manchou a honra de homem em sede voraz de lágrimas...
Bebendo-lhe os néctares flor a xingando de estúpida e sem vergonha.

Cerrada em dores, no lençol laranja, deitou seu corpo nu e branco a maldizer a sua existência, sem mais resistência...
E no espelho os lábios mordidos, sujos de batom carmim.
Os olhos pantanosos, roxos e negros de não dormir.

Cantou, desdita a aurora, em raios amarelos, num encanto das flores e na casa mais uma rosa que se murcha de desgosto.
E ele sai novamente, e num bar mais uma vez estará. E ela já se põe a esperar sem mais nada da vida esperar...

Camilla da Silva Ribeiro

Destino


Destino



Se eu pudesse escreveria meu destino com letras douradas tal como os raios de sol.
Desbravava o horizonte e o final do arco-íris... Tudo seria possível!

Se eu pudesse mudar estradas, contornar rios e destruir rotas desviaria meu caminho para continuar no seu qual uma ave nômade e um viajante que encontra um oásis guiado pelas estrelas no céu.

Assim, penso como faço para chegar ao horizonte quando os pés só podem alcançar o possível(pergunta)...
Como faço para ver o que há após o arco-íris quando todos nos contam que isso é apenas um mito!

Assim, perguntou-me se por acaso nos perdermos no caminho um dia nos encontraremos num final de uma trajetória.
Conseguirei assim viver os planos estipulados e traçados relembrando a cada dia o que é estar nos braços seus(pergunta)
Sabendo como são seus beijos, palavras e nossos momentos...

Mas ao mesmo tempo, não tenho os raios de sol que escreveriam as letras dourada e nem o poder de mudar estradas... E minha alma se encarceraria ao sabor da culpa ao saber que destruí rotas!
Mas se eu pudesse só por um ligeiro instante eu seria esse tal viajante para estar mudando o curso do destino...


Camilla da Silva Ribeiro

Rio: 17-10-2010

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Jogo das Palavras




Este é o amor,
Amor que quero
Amor sincero
Um simples olhar...

Este é o olhar
Olhar que me toma
Olhar daqueles cafonas
O que constrói o beijar...

Este é o beijar
Beijar ardente
Não muito coerente
Que me faz apaixonar...

Este é o apaixonar.
Sonho que espero
Sonho eterno.
Uma chance única de amar.

Camilla da Silva Ribeiro.

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Elucidações sobre a vida...



Queria falar sobre a vida como um pássaro fala com as flores.
Queria pintar a vida como a noite pinta o horizonte.
Sentir sua essência na mais singela verdade assim como as árvores sentem o carinho dos ventos.
A vida é a vida. Um poeta tentou escrever sobre essa palavra. Tentou mergulhar em seu abstrato e complexo sistema. Sobrevoou por seus significados e imaginou o seu verdadeiro sentido. Absorveu com calma as mais variadas expressões e colocou no papel...
A vida não rimou. O poeta desarmou-se e começou a esboçar em sua mente vales dourados, cristais límpidos, estrela sorridente. O que há na vida que a torna um esboço mal feito na mente? Tentou dar seu próprio conceito, mas se viu perdido nas causas e nas palavras que não surtiram efeito.
A vida é um musica que toca baixinho. É tão imperceptível que sua mensagem só é compreendida quando paramos para escuta-la com calma... Mas como podemos compreender a vida se ela é um conjunto de coisas, de fatos, de sonhos, obstáculos?
O poeta perguntou a si mesmo como escrever de algo tão imenso e tão ao mesmo tempo misterioso. Ela seria como uma noite ou como um dia claro? Como a escuridão ou luz do sol?
Se pudesse o poeta escrevia que a vida é o intenso movimento evolutivo, uma trajetória linear ao encontro da luz. A vida para mim, poeta, é algo longe de ser escrita, com toda sua essência, veracidade, evidencia. Pois vida é muito mais do que palavras, versos e cogitações.

Camilla da Silva Ribeiro.

domingo, 6 de junho de 2010

Lenço dos Desenganados



Ventos que sopram, que levam poeiras, folhagens e restos
São quais palavras, não voltam Jamais
Nem que se dos olhos uma lágrima se derramasse, um suspiro morresse.

Ondas que se debatem nas pedras, que gritam, que choram, se devoram.
São quais escolhas erradas, não voltam jamais.
Nem se a voz gritasse, nem se a súplica se perpetuasse...
Ondas velhas morrem junto ao cais...

Tempestades que atiçam sua ira em trovões, iluminam o céu, gemem de dor.
São quais atos, não voltam jamais
Nem que se prometesse, varresse as migalhas das mentiras, as ilusões, as felonias
A vida não volta pra trás...

É qual um lenço que acena ao longe
Manda embora os sorrisos, os sonhos
Por um breve e tolo instante
De Ilusão, de medo e de dor...

Camilla da Silva Ribeiro.

quinta-feira, 3 de junho de 2010

Amor Doente



Respiro, não por que sei de respirar e sim por estou a te amar...
Ando, não por que tenho pernas para andar. São teus beijos que me dão a força para continuar.

Sorrir? Se o sol já não me conduz!
Se o que me resta é uma cruz que carrego na incoerência, no desafeto da razão.
Cantar? Como o que me resta é esse gritar... Mudo Gritar.
Se o que me invadi é o som de sua voz a me dizer: ‘Adeus!’

O que me importa se o céu está azul se você não está aqui...
Se as lágrimas banham a face.
Se o adeus para ti só foi uma frase e para mim o fim...
O fim do nosso amor.

O que me importa se agi assim...
O que te importa se sou infeliz assim...
Quando o egoísmo nos é uma marca.
A vaidade que nos mata...
Em venenos de um doente amor.

O que me resta se não há esperança...
Uma cura... Uma Vingança...
O que me resta é viver só e infeliz.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Lembre-se




Lembre-se que depois de uma tempestade sempre há a calmaria das ondas nas areias da praia.
Que o soluço que lhe arrebata o peito varrerá os vestígios da dor, limpando a alma e mostrando o erro.

Lembre-se que se agora tu só tens uma noite escura e silenciosa, na manhã terás os raios que penetram em sua janela.
Que às vezes precisamos caminhar na sombra antes de encontrar o melhor atalho para chegarmos nos vales perdidos da alma.

Lembre-se que se encontras agora as folhas de uma ventania constante é porque estas foram trazidas por atos impensados, blasfêmias jogadas ao ar. As mesmas folhas que vieram se irão levadas pelas correntes do autoconhecimento.
Que um momento de sofrimento é apenas um segundo diante da vida eterna. Poderás então recomeçar de novo, cada vez mais forte... O vento levou para longe a dor e trouxe o amor...

Lembre-se que sem o amor somos seres pequeninos escondidos numa pequena conchinha, jogados na imensidão do mar.
Que sem amor estamos perdidos, invisíveis e insolúveis a realidade.
Construir uma centelha de amor é construir alicerces para vida...

Camilla da Silva Ribeiro.

Apenas Um Poema


Quero-te com a mesma necessidade do sol
Beber-te as risadas, os néctares doces do paladar
Assim como as plantas bebem a seiva
E perpetuar a sua voz, o seu silencio, a sua vinda na minha mente qual um segundo eterno de prazer...

Quero-te com a mesma necessidade dos rios com as chuvas
Agarrar-me aos seus braços, respirar do seu ar
Assim como do leite da mãe, o filho ganha vida...
E perpetuar os seus olhos na minha vista, embalar-te na minha alma e deliciar-me com seu suspirar alegre.

Luz do sol que abre as pétalas de uma flor
Que dá energia ao corpo e esquenta as manhãs de frio
Luz do sol que amanhece o meu dia com os raios de sua alegria
Evapora os rios da tristeza e os leva para o fim do dia, da vida...

Camilla da Silva Ribeiro.

Soneto a Infelicidade


Eis que os sonhos, adventos...
Conquistas infames, dores em taças de lamento
Bebidos como vinho Por egoísmos sedentos
Lágrimas sentidas... Suplicas aos ventos.

Escorraço-a, mas sei que dela dependo...
Esbravejo em febre e dor, a trazendo.
Calando-a, sugando-a em fel, amando-a em desalento.
Cuspindo a todos este cruel sofrimento.

Permiti que em frio tomasse este coração
Respiro ainda em doença o pó lagrime da ilusão,
Repentino desespero que atinge minha emoção.

Não quero fracassar... Gritar!
Arranco e renuncio a arte de amar
E sofro em anuncio a infelicidade calada do andar.